Um alto executivo da Intel revelou que a empresa está a preparar mudanças profundas no plano de produtos para os próximos cinco anos. O objectivo principal passa por competir de forma mais agressiva com a AMD no segmento de processadores para computadores de secretária, portáteis e consolas portáteis. Numa entrevista concedida à publicação alemã PC Games Hardware, o vice-presidente Robert Hallock indicou que os entusiastas de hardware estão a subestimar a importância do software na experiência de utilização.
De acordo com o responsável, não existe quantidade de núcleos ou de memória cache capaz de maximizar o desempenho em videojogos se não existir software optimizado a acompanhar o hardware. Ao abordar a estratégia da concorrência com a tecnologia 3D V-Cache, Hallock refere que a adição de memória cache extra apenas se revela útil em aplicações que fazem um elevado número de pedidos aleatórios de memória. Este cenário é comum em videojogos mais antigos, desenvolvidos com base no DirectX 9 e DirectX 11. Nas interfaces de programação mais recentes, o aumento da cache não oferece um salto de desempenho tão expressivo, beneficiando muito mais de um código bem estruturado.
Para materializar esta visão, a fabricante está a desenvolver a Binary Optimization Tool (BOT). Esta nova funcionalidade de software disponibiliza ganhos de desempenho que podem chegar aos trinta por cento em títulos modernos e ao executar tarefas complexas, independentemente da capacidade de cache do processador. A Intel trata o BOT e outras ferramentas semelhantes como peças fundamentais para o futuro.
O futuro do hardware e as consolas portáteis
Apesar de priorizar a optimização em detrimento da força bruta, a empresa não vai abandonar as inovações físicas. A notícia avança que a Intel deverá apresentar a sua própria resposta ao 3D V-Cache, conhecida como Big Last Level Cache, com a arquitectura Nova Lake ainda durante este ano. Para além disso, a marca procura reduzir a latência nos próximos produtos, com Hallock a notar que, em processadores que integram um elevado número de núcleos, um gestor de threads será uma ajuda preciosa.
Durante a mesma entrevista, o vice-presidente abordou de forma breve os planos da marca para o mercado das consolas portáteis. Ao responder a uma questão sobre os rumores em torno dos chips gráficos Arc G3 e G3 Extreme, o executivo afirmou que não passa todo o seu tempo a trabalhar no Arc G3. Esta declaração serviu para confirmar de forma implícita a existência destes novos processadores, que deverão equipar a próxima geração de dispositivos portáteis para videojogos.