Recentemente, a comunidade de utilizadores da PlayStation foi surpreendida por uma alteração silenciosa nas consolas da Sony. Após a actualização de firmware lançada em Março de 2026, vários utilizadores começaram a notar uma nova exigência de verificação online para jogos digitais na PlayStation 4 e PlayStation 5. Esta nova funcionalidade de gestão de direitos digitais (DRM) obriga as consolas a ligarem-se à Internet a cada trinta dias para validar as licenças dos títulos adquiridos na loja virtual.
A notícia gerou de imediato indignação nas redes sociais e fóruns da especialidade. Inicialmente, muitos pensaram tratar-se de um erro de software. Contudo, o site Tom’s Hardware indica que o suporte oficial da PlayStation já confirmou a vários clientes que a medida é intencional. A notícia também refere que conversas com o serviço de apoio ao cliente mostram que a alteração afecta todas as compras digitais efectuadas depois da referida actualização de Março.
O combate aos abusos nos reembolsos
Apesar da falta de comunicação oficial por parte da fabricante japonesa, investigações independentes começam a fazer luz sobre os motivos desta decisão. Segundo o site TechPowerUp, o utilizador ‘andshrew’ do fórum ResetEra conduziu testes exaustivos no final de Abril de 2026 para perceber o mecanismo. O investigador descobriu que a Sony parece estar a tentar evitar abusos no sistema de devoluções.
Na prática, quando um jogador compra um jogo digital através da consola ou de um browser, a loja emite agora uma licença temporária de trinta dias. O objectivo passa por cobrir os primeiros catorze dias, que correspondem ao período legal de devolução. Se o utilizador pedir o reembolso e mantiver a consola desligada da Internet para tentar contornar o sistema, o jogo deixará de funcionar ao fim de um mês.
Caso o cliente decida ficar com o título, a consola precisa de se ligar à rede uma vez após os catorze dias iniciais. Nesse momento, o servidor substitui a licença temporária por uma licença perpétua, o que permite executar tarefas e jogar offline sem mais restrições. O utilizador do ResetEra testou este método com um jogo comprado a 9 de Abril, e confirmou que a licença passou a definitiva a 25 de Abril, depois de o período de devolução expirar.
Testes de hardware e o problema da bateria CMOS
Embora a explicação do sistema de reembolsos traga algum alívio, a implementação desta funcionalidade levanta sérias questões de preservação. O criador de conteúdos Spawn Wave decidiu colocar a nova política à prova através de testes físicos. Num vídeo publicado na semana passada, o youtuber retirou a bateria CMOS de uma PlayStation 5 para forçar a reinicialização da data e hora do sistema, mantendo o equipamento offline.
O resultado foi imediato. Os jogos digitais comprados recentemente recusaram-se a iniciar sem uma nova verificação de licença online. O Tom’s Hardware avança que definir a consola como sistema principal não contorna esta exigência. Qualquer falha na bateria interna ou impossibilidade de aceder aos servidores da empresa resulta na perda temporária de acesso aos jogos pagos, o que afecta drasticamente a experiência de quem viaja com o equipamento ou vive em zonas com fraca cobertura de Internet.
O fantasma do passado regressa
A reacção da comunidade tem sido implacável, muito devido à ironia histórica que a situação encerra. Em 2013, a Microsoft anunciou que a Xbox One iria exigir uma ligação à Internet a cada 24 horas para validar os jogos, além de impor limites a empréstimos e revendas. Na altura, a Sony aproveitou a feira E3 para ridicularizar a rival, ao garantir que a PlayStation 4 nunca iria impor verificações online para títulos single-player. A pressão pública forçou a Microsoft a recuar pouco tempo depois.
Treze anos depois, a marca nipónica parece adoptar uma postura semelhante, ao lembrar aos consumidores que a compra de um jogo digital representa apenas a aquisição de uma licença de uso e não a posse real do software. Até ao momento, a empresa mantém o silêncio público sobre o assunto, o que continua a alimentar a frustração de quem investe na plataforma. Resta aguardar para perceber se a pressão dos jogadores vai forçar a gigante tecnológica a recuar ou a optimizar a forma como disponibiliza estas informações aos seus clientes.