A integração contínua de novos processadores no kernel é fundamental para que as empresas consigam desenvolver e lançar novos equipamentos no mercado com a garantia de estabilidade. O ciclo de desenvolvimento do kernel Linux 7.1 recebeu recentemente uma série de actualizações importantes para atingir esse objectivo. De acordo com a notícia do site Phoronix, a nova versão passa a integrar suporte para doze novos System-on-a-Chip (SoC).
A arquitectura ARM continua a dominar as atenções dos programadores, o que reflecte a sua forte presença em dispositivos móveis, equipamentos de rede e soluções industriais. No entanto, a inclusão de hardware RISC-V sublinha o interesse crescente da indústria nesta arquitectura, que oferece uma alternativa viável para o futuro do design de processadores.
Os doze novos SoC suportados pelo Linux 7.1
A publicação indica que as alterações já foram fundidas no Git, o que garante a compatibilidade oficial com uma dúzia de novos chips. A lista completa de adições engloba as seguintes plataformas:
- Qualcomm Glymur – Um SoC focado em computação que usa 18 núcleos de pro25cessamento Oryon-2.
- Qualcomm Mahua – Uma variante do Glymur que oferece apenas 12 núcleos de CPU.
- Qualcomm Eliza – Uma plataforma embutida destinada a telemóveis baseados no SM7750 e a implementações de Internet das Coisas (IoT), identificada como QC7790S/M.
- Qualcomm IPQ5210 – Um chip direccionado para redes sem fios.
- Axis ARTPEC-9 – Um processador que integra uma estrutura de núcleos Cortex-A55, o que representa uma evolução face ao anterior ARTPEC-8.
- ARM Zena – Uma plataforma virtual que usa núcleos Cortex-A720AE.
- ARM Corstone-1000-A320 – Uma plataforma de referência equipada com núcleos Cortex-A320.
- Microchip LAN9691 – Um SoC de 64 bits.
- Renesas RZ/G3L r9a08g046 – Um chip desenhado para o sector industrial.
- NXP S32N79 – Um processador optimizado para a indústria automóvel.
- Microchip PIC64GX – Um chip RISC-V embutido de 64 bits que usa núcleos de CPU SiFive U54.
- Rockchip RV1103B – Um processador de visão de núcleo único de 32 bits.
Limpeza de código e remoção de hardware obsoleto
Além de adicionar novas funcionalidades e alargar a lista de hardware compatível, os responsáveis pelo kernel aproveitaram para fazer uma limpeza ao código. A fonte refere que os SoC Qualcomm APQ8084 e IPQ806X foram removidos, uma vez que tinham apenas um suporte muito básico e não existiam produtos reais a usar estes chips no kernel principal.
Esta abordagem de limpeza não é inédita. O Linux 7.1 também remove o suporte para os processadores russos Baikal. Como resultado directo desta decisão, um controlador de memória Baikal T1 (bt1-l2-ctl) que não estava a ser utilizado acabou por ser eliminado do código.
Por fim, a actualização disponibiliza ainda novas adições de Device Tree (DT) para garantir o funcionamento de vários tablets, TV boxes, placas industriais e diversos dispositivos da Qualcomm, o que ajuda a executar tarefas de forma mais eficiente nestes equipamentos. Todas estas alterações demonstram o esforço contínuo da comunidade em manter o sistema operativo moderno, seguro e optimizado para as exigências actuais do mercado tecnológico.