Linux

Alternativas livres para o mercado móvel

O facto de o domínio dos sistemas operativos para o mercado móvel estar em grandes corporações tem contribuído para o aparecimento de alternativas livres, que têm como base o kernel Linux. Vamos ver cinco exemplos.

A dependência da Google é claramente um factor dominante hoje em dia. Quem diz da Google, diz de outras gigantes actuais. Os seus serviços, bem como o sistema operativo Android, torna muitas marcas de smartphones escravas do mesmo, e por acréscimo, todos nós. Não estou com isto a dizer que o Android da Google é “mau”, não me interpretem mal, aliás, eu também o uso. No entanto, a Google é dona e senhora do sistema e isso pode ter consequenciais inesperadas a longo prazo, no que diz respeito, principalmente, à privacidade que cada vez mais se procura, mas menos se encontra. Olhar para esta dependência de sistemas operativos no mercado móvel, cujo domínio está em grandes corporações, tem contribuído para o aparecimento de alternativas livres, que têm como base o kernel Linux. Apesar de ainda não estarem suficientemente maduras para competir com um Android da Google, devem ser vistas como uma luz ao fundo do túnel quando o que se procura nos dias actuais é privacidade e segurança.

Plasma-Mobile
É desenvolvido pela comunidade KDE, com aplicações com base em QT e usando o Kirigami UI para desenvolvimento de aplicações convergentes. Quem está habituado ao ambiente gráfico KDE Plasma, é como se o tivesse no smartphone ou no tablet. A ideia da comunidade é criar um sistema convergente, que consiga dar uma boa experiência de usabilidade num equipamento móvel e num computador. A lista de smartphones compatíveis, ainda é muito pequena, sendo o Nexus 5x e o Nexus 5 os recomendados; no entanto, também existe compatibilidade com alguns smartphones do projecto PostmarkOS. A sugestão de ISO recomendada é o KDE Neon, cujo website oficial mostra o passo a passo para instalação. É possível também testar o plasma-mobile em ambiente virtual, apesar de o foco ser móvel.
plasma-mobile.org

Ubuntu Touch
O Ubuntu Touch continua a ser desenvolvido pela comunidade (ou fundação) Ubports, um grupo de voluntários que querem continuar com o desenvolvimento do Unity 8 no sector móvel. Por isso, quando se fala em Ubuntu Touch, fala-se de um sistema operativo para smartphones, que tem como base o Unity 8, após a Canonical ter anunciado o fim do Unity como ambiente gráfico-padrão nos seus equipamentos. Marius Gripsgard, fundador do Ubports, decidiu continuar com o desenvolvimento do Unity, com recurso ao servidor gráfico Mir, em vez do Wayland e x11, conforme usado pela Gnome. A ideia da Ubports é criar convergência como smartphones tablets e desktops e, com os seus esforços, o Ubuntu Touch fez recentemente a sua última actualização do OTA 9. Como acontece com o Plasma-Mobile, ainda são poucos os dispositivos compatíveis com o Ubuntu Touch; entre eles estão o OnePlus One, o Meizu MX 4 e o Nexus 7 2013 LTE.
ubports.com/pt_PT/

LineageOs
O LineageOS tem como base o Android e é um projecto mais robusto que os anteriores, mesmo porque é um fork do já descontinuado Cynanogenmod, de que talvez alguns leitores ainda se recordem. É interessante o significado do nome, ‘lineage’ (’linhagem’, que ‘evoluiu de outro’. A quantidade de dispositivos compatível é imensa, não só em tablets como smarpthones, até a consola Nvidia Shiled.Para instalar o LineageOs existe muita documentação, apesar de não ser para todas as pessoas, mas sim para entusiastas ou para aqueles que tenham uma vertente técnica, contrariamente à instalação simples do Ubuntu Touch, que peca apenas pelos poucos dispositivos compatíveis, ainda. A comunidade é muito grande e é muito provavelmente o projecto actual com uma maior variedade de equipamentos compatíveis.
lineageos.org

PureOS
Este é o sistema operativo que a Purism usa nos seus equipamentos móveis e desktop: esta empresa vende portáteis e smarpthones com hardware livre, dando assim uma segurança-extra aos utilizadores. O conceito da Purism é mais forte no que diz respeito a liberdade e segurança do utilizador, limitando assim a instalação do seu sistema aos equipamentos que vendem, diferentemente dos outros projectos já mencionados que tem um conceito muito ‘faça você mesmo’.puri.sm/e/

Foundation
Este é um projecto que já acompanho desde o anterior nome, Eelo, agora /e/, uma fundação sem fins lucrativos iniciada pelo criador do Mandrake Linux. A base do sistema é Android, mas mais especificamente um fork, ou derivado do LineageOS, que substitui os serviços da Google por outros open source. O /e/ Foundation conta já com uma série de equipamentos compatíveis da Samsung, Motorola, LG e Xiaomi entre outras. No entanto, ainda está em fase beta e por isso, para já, é apenas para entusiastas – mas é, sem dúvida, um projecto a acompanhar.
https://e.foundation

Vantagens e desvantagens
Se olharmos para todos estes projectos, os três pilares são sempre os mesmos: privacidade, liberdade e segurança. Isto é, a meu ver, aquilo que deve importar a qualquer cidadão. No entanto, na maioria, estes sistemas operativos não estão acessíveis a todos, porque o processo de instalação requer algum “jogo de cintura” – o Ubuntu Touch é aquele que tem vindo a simplificar mais este processo. O que acontece é que estas soluções não estão suficientemente maduras para estarem nas grandes superfícies comerciais como alternativa ao Android da Google, apesar de ser perfeitamente possível comprar um smartphone com um sistema livre instalado como o PureOs ou mesmo Ubuntu Touch.

Conclusão
Em troca de serviços, abrimos mão de um direito que todos temos: a é privacidade. A Google é uma das gigantes que tem conseguido fazer isso. Estes projectos têm como objectivo mudar esse cenário: dar poder de escolha ao utilizador e cada vez menos abdicar da privacidade, em troca de serviços.

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