O estado do Utah iniciou um programa que permite a uma inteligência artificial examinar doentes e prescrever medicamentos sem supervisão humana directa. A iniciativa decorre ao longo de um ano e foca-se exclusivamente em pacientes com acne ligeiro a moderado, segundo avança o site TechSpot. Esta mudança histórica levanta novas questões sobre a automação em sectores altamente especializados, numa altura em que outras regiões tomam medidas opostas para proteger os trabalhadores humanos, como se viu quando a Califórnia proibiu despedimentos ditados em exclusivo pela inteligência artificial.
A empresa responsável pelo projecto é a Nolla Health. Os utilizadores subscrevem a aplicação da marca por 4,99 dólares (cerca de 4,50 euros) mensais e utilizam o software para analisar o próprio rosto. Após o preenchimento de um formulário com o histórico clínico e dados pessoais, o sistema avalia a pele, identifica o problema, classifica a oleosidade e gera uma pontuação de gravidade. A plataforma cruza depois esta nota numérica com a informação médica fornecida para recomendar um de oito tratamentos tópicos aprovados e exclui sempre a toma de comprimidos.
Implementação gradual
A passagem para um sistema totalmente autónomo obedece a três fases distintas de segurança. As primeiras 100 receitas passam obrigatoriamente por uma revisão médica humana antes de seguirem para a farmácia. Na segunda etapa, que abrange os 400 pacientes seguintes, o software envia a prescrição directamente para o balcão de dispensa e um médico fica encarregue de rever os processos semanalmente de forma retroactiva. A fase final exige apenas que um especialista avalie um mínimo de 10% do volume total de prescrições emitidas, num controlo efectuado uma vez por mês.
O presidente executivo da Nolla Health, Luis Wenus, defende a segurança do processo ao sublinhar que os efeitos adversos da medicação aprovada se limitam a secura ou irritação cutânea localizada. O historial de conselhos médicos gerados por algoritmos apresenta, contudo, casos problemáticos no passado. Um homem de 60 anos desenvolveu um distúrbio psiquiátrico raro após substituir o sal na sua dieta por brometo de sódio por indicação do ChatGPT. Adicionalmente, grandes empresas tecnológicas já removeram funcionalidades de pesquisa de saúde automatizadas para evitar riscos associados a informações imprecisas.
