Cientistas da Universidade de Viena alcançaram um marco inédito ao operar o primeiro computador quântico no espaço. O equipamento viajou a bordo de um foguetão Falcon 9 em Junho de 2025, mas o sucesso da missão exigiu ultrapassar vários obstáculos técnicos. Segundo o site Interesting Engineering, o objectivo principal desta iniciativa passa por resolver o estrangulamento de dados nos satélites actuais. Estas máquinas recolhem enormes volumes de informação bruta, mas a ausência de capacidade de processamento local obriga ao envio de todos os ficheiros para a Terra. Um processador quântico em órbita surge como a solução ideal para analisar os dados directamente no espaço.
O desafio do ambiente orbital
A fragilidade dos qubits é um obstáculo conhecido, exigindo ambientes altamente controlados que não existem fora dos laboratórios terrestres. Para suportar a intensa vibração do lançamento, a equipa reforçou os componentes com placas de titânio e usou resina epóxi para proteger as delicadas fibras óticas. Apesar destas precauções, apenas três dos seis detectores de fotões únicos de silício sobreviveram à viagem. A superação destas falhas físicas é tão crítica para o futuro da tecnologia como o esforço contínuo na Terra, onde a IBM desenvolveu um método que reduz drasticamente os erros em computadores quânticos.
Outro problema grave é o da luz solar directa, que gera um ruído de fundo impossível de contornar. Os investigadores resolveram a situação ao realizar as medições exclusivamente durante as janelas de 30 minutos em que o satélite passava pela sombra da Terra.
Radiação e degradação no vácuo
Ultrapassada a luz, surgiu a ameaça da radiação proveniente das cinturas de Van Allen. O encapsulamento em alumínio de grau aeroespacial, com um centímetro de espessura, bloqueou os electrões, mas não conseguiu travar os protões, o que acabou por degradar os detectores. O vácuo espacial também prejudicou a cola do laser, sujando as lentes e fazendo a potência cair de 20 para apenas quatro miliwatts.
Mesmo perante tantas adversidades, a equipa conseguiu provar que os fotões viajavam de forma indistinguível pelos circuitos do instrumento. Este fenómeno ocorreu exactamente a 32,5 graus Celsius, confirmando as previsões feitas na Terra. Os resultados, já publicados no arXiv, demonstram que é possível comprimir processadores quânticos, colocá-los a funcionar no espaço e perspectivar futuras ligações seguras entre satélites e estações terrestres.
