A Microsoft removeu silenciosamente a marca Copilot+ PC dos seus mais recentes computadores portáteis. Esta nomenclatura servia para definir uma nova geração de equipamentos preparados para executar funções de inteligência artificial de forma local. Lançada em Maio de 2024, a certificação exigia que os sistemas incluíssem uma unidade de processamento neural, habitualmente conhecida pela sigla NPU, capaz de atingir um mínimo de 40 TOPS de desempenho. Contudo, os novos dispositivos da linha Surface apresentados recentemente já não ostentam este selo comercial, marcando uma mudança de estratégia clara por parte da gigante tecnológica.
O impacto da função Recall
O abandono desta designação comercial parece estar intimamente ligado às fortes críticas em torno da funcionalidade Recall. Esta ferramenta, desenhada para capturar constantemente o ecrã do utilizador e criar um histórico pesquisável, gerou imensas preocupações de privacidade e segurança. Segundo o site Windows Central, a polémica transformou a marca num mero requisito de hardware que os consumidores não compreendiam totalmente. Perante esta rejeição pública generalizada, a Microsoft alterou o rumo e preferiu afastar-se do nome, embora a tecnologia subjacente continue a existir nos bastidores. A própria empresa já tinha dado dois passos para trás de forma a dar mais controlo aos utilizadores, como quando implementou uma opção para desactivar a tecla Copilot no Windows 11.
Inteligência artificial sem rótulos
Apesar do desaparecimento repentino do nome comercial, o compromisso com o processamento inteligente mantém-se intacto na indústria. Brett Ostrum, responsável pela divisão Surface, confirmou que as novas máquinas cumprem todos os requisitos técnicos da norma anterior, mas simplesmente deixaram de usar o título Copilot+ PC. A empresa foca-se agora a promover uma narrativa em torno da inteligência artificial local e de soluções híbridas. Desta forma, em vez de tentar vender um rótulo específico, o objectivo passa a ser a explicação prática das vantagens destas ferramentas no dia-a-dia, evitando confusões no mercado. Resta agora saber se todos os futuros portáteis vão continuar a integrar processadores tão potentes por defeito ou se o fim da certificação ditará uma fragmentação do hardware.
