A Microsoft submeteu uma nova patente que permite aos títulos da Xbox alterar automaticamente as narrativas à medida que os utilizadores progridem na história. Este sistema inovador utiliza inteligência artificial generativa para moldar caminhos narrativos, missões e detalhes do mundo virtual. O objectivo passa por abandonar a dependência exclusiva de ramificações escritas previamente pelos estúdios. Esta tecnologia pode empurrar as futuras obras interactivas para experiências totalmente personalizadas e reactivas à exploração de cada indivíduo.
O fim das histórias estáticas
A aplicação desta tecnologia foi tornada pública em Julho sob o nome de experiência de jogo com narrativa generativa e feedback do jogador. O coração da mecânica assenta num gráfico de estado narrativo, que funciona como um mapa complexo de eventos, escolhas e consequências. Num título tradicional, os programadores constroem estas ramificações de forma antecipada e manual. O sistema proposto pela gigante norte-americana rastreia o progresso através desse mapa e recorre a modelos generativos para adicionar caminhos inéditos ou alterar os já existentes.
O sistema vai muito além das escolhas óbvias, como opções de diálogo ou decisões cruciais da história principal. A inteligência artificial pondera a forma como as pessoas exploram o mapa, quais as personagens que visitam com maior frequência e como interagem com objectos específicos. A patente refere ainda que o sistema pode usar características faciais e outros sinais biométricos para avaliar as reacções emocionais de quem tem o comando nas mãos. Essa informação valiosa, combinada com o comportamento virtual, ajuda a determinar quais os cenários ou protagonistas que devem receber mais atenção.
Os jogadores como co-criadores
Um simples habitante de uma aldeia pode ganhar uma linha narrativa gigante se o utilizador interagir com ele repetidamente. Uma pequena gruta pensada para ser apenas uma área secundária pode transformar-se numa masmorra enorme com dois ou três níveis repletos de novos monstros e missões exclusivas. A Microsoft descreve esta abordagem como uma ferramenta para transformar os fãs em co-criadores da experiência final. A inteligência artificial não escolhe simplesmente entre caminhos predefinidos, começando a gerar material totalmente novo à medida que os interesses de quem joga se tornam mais claros.
Para que a magia aconteça sem quebrar a imersão, o motor tem de manter um registo da lógica interna do universo. Os novos diálogos, locais e missões precisam de encaixar perfeitamente nas regras estabelecidas e nos eventos ocorridos anteriormente. Embora o documento não confirme a utilização imediata desta mecânica num lançamento para os próximos 12 meses, demonstra que as grandes empresas estão a integrar a inteligência artificial no próprio produto final e não apenas nas ferramentas de desenvolvimento. A marca já tinha submetido duas patentes anteriores relacionadas com o seu hardware, incluindo um assistente virtual capaz de jogar pelo utilizador e um conceito de comando com motores hápticos ajustáveis. Esta nova visão foca-se puramente em tornar o mundo virtual mais vivo, imprevisível e intimamente ligado às acções de cada um.
