A decisão de terminar a produção de discos para as consolas PlayStation a partir de Janeiro de 2028 gerou uma enorme onda de contestação. Os consumidores organizaram rapidamente petições e campanhas de boicote contra a Sony num curto espaço de tempo. O cenário parecia definitivo, especialmente porque a empresa já tinha começado a adaptar as suas fábricas para abandonar o fabrico de blu-ray. Contudo, uma nova reviravolta pode estar prestes a acontecer nos bastidores da gigante nipónica, trazendo alguma esperança a quem recusa a transição total para as bibliotecas digitais.
Auscultar o mercado
A esperança dos adeptos do formato físico ganhou um novo fôlego esta semana graças a uma fuga de informação. O conhecido analista Moore’s Law Is Dead afirmou que a fabricante enviou um extenso questionário aos estúdios de desenvolvimento para avaliar a estratégia de eliminação dos discos. Segundo o site Wccftech, os contactos do analista na indústria confirmaram a recepção deste documento, sendo considerado um dos maiores alguma vez enviados pela marca. A intenção parece ser perceber, de forma bastante discreta, se existe algum problema grave na forma como os videojogos são vendidos actualmente nas lojas tradicionais.
Dados de vendas anunciados recentemente provam que os jogadores continuam a valorizar as caixas. O jogo Marvel’s Wolverine, por exemplo, gerou 23% das suas receitas através de vendas físicas nos primeiros três dias no mercado. Estes números podem ter obrigado os executivos a repensar a estratégia puramente digital, procurando agora o feeback directo dos parceiros comerciais.
Sinais contraditórios
Para adensar o mistério, dois nomes de peso da indústria protagonizaram recentemente um momento peculiar que deixou a comunidade a especular. Shuhei Yoshida e o antigo colega Adam Boyes recriaram uma cena famosa durante o evento TGS 2026. Na versão original, que ajudou a cimentar o domínio da PlayStation 4 face à concorrência, ambos trocavam um jogo físico com um sorriso no rosto. Desta vez, no entanto, encenaram o momento em frente ao expositor da marca, mas não trocaram rigorosamente nada.
Muitos fãs interpretaram esta acção como uma crítica velada ao futuro sem discos por parte dos veteranos da indústria. Importa sublinhar que Yoshida já tinha defendido a aposta no formato digital em declarações anteriores, o que torna esta recente encenação ainda mais ambígua. Resta agora aguardar para perceber se as empresas parceiras vão conseguir travar o fim anunciado das edições físicas ou se o questionário serviu apenas para preparar o terreno para a inevitável transição.
