Ouvir as músicas de filmes de animação dezenas de vezes durante as viagens de carro já não vai arruinar as estatísticas musicais de fim de ano do Spotify. A plataforma de streaming lançou uma nova funcionalidade que permite aos pais excluir as canções infantis dos perfis de gostos. Esta alteração resolve um dos problemas mais antigos de quem partilha dispositivos em casa com os mais novos, ao impedir que temas de embalar dominem as listas personalizadas.
Segundo o site TechCrunch, a novidade está a chegar globalmente aos dispositivos móveis para utilizadores das versões gratuita e Premium. Nas definições da aplicação existe agora um botão dedicado a incluir ou excluir a música para crianças e família do perfil do utilizador. Ao desactivar esta opção as faixas infantis deixam de influenciar as recomendações algorítmicas em listas como a Descoberta Semanal ou o Daily Mix. O grande trunfo desta ferramenta é o seu efeito retroactivo. Tudo o que já foi ouvido ao longo deste ano vai ser apagado do histórico relevante, o que impede que as bandas sonoras de desenhos animados dominem o famoso resumo anual Wrapped.
O fim do domínio infantil
O problema das misturas indesejadas nos perfis musicais tem origem na forma como as famílias consomem entretenimento. As colunas inteligentes e as televisões nas salas de estar costumam estar ligadas à conta principal dos pais para facilitar o acesso de todos. Isto significa que duas ou três horas a reproduzir temas de videojogos acabam por monopolizar o algoritmo principal. A empresa avisa que as mudanças podem demorar até 48 horas a reflectir-se nas recomendações personalizadas.
Antes de disponibilizar este interruptor global a plataforma já tinha tentado mitigar a situação. Em 2025 surgiram as contas geridas para menores de 13 anos e a possibilidade de esconder faixas individuais. A aplicação continua a procurar formas de personalizar a experiência de cada ouvinte, uma tendência clara desde que o Spotify lançou uma funcionalidade para adicionar notas às músicas de forma a organizar melhor as bibliotecas. Agora o foco regressa em pleno à protecção da identidade musical dos adultos que partilham a assinatura com a família.
