A Denuvo decidiu agir judicialmente contra um pirata informático conhecido por contornar as suas medidas de segurança. A empresa austríaca avançou com uma queixa num tribunal federal dos Estados Unidos contra um indivíduo anónimo que utiliza o pseudónimo “voices38”. Este utilizador é acusado de quebrar a tecnologia de protecção em 26 videojogos distintos. A acção legal baseia-se nas provisões da lei de direitos de autor norte-americana, segundo o site TorrentFreak.
Ao contrário de outros métodos recentes que exigem desactivar funcionalidades de segurança do Windows, as modificações criadas por este indivíduo actuam directamente nas verificações do sistema. Esta abordagem tradicional tornou-se bastante popular entre a comunidade. O ritmo de lançamentos acelerou durante o verão e chegou a culminar na disponibilização de cinco títulos pirateados num único dia no início deste mês. A lista de obras afectadas abrange desde clássicos desportivos até grandes sucessos recentes.
Uma questão de evasão e protecção digital
A queixa não se apoia numa infracção directa de direitos de autor, uma vez que a empresa de segurança não detém a propriedade intelectual das obras. O argumento central foca-se na violação da lei que proíbe contornar bloqueios digitais concebidos para controlar o acesso a produtos protegidos. Como o modelo de negócio da organização assenta na venda destas barreiras tecnológicas a várias empresas da indústria, as manobras do pirata informático causam danos financeiros directos. Esta situação ganha ainda mais relevância quando observamos que a pressão da comunidade e a pirataria constante levam muitas vezes os estúdios a antecipar a remoção do sistema anti-pirataria Denuvo nas obras de grande orçamento.
A caça ao indivíduo anónimo
O principal obstáculo actual reside no facto de a identidade real do responsável permanecer um mistério. O processo judicial identifica o arguido como uma entidade desconhecida, mas a equipa de investigação reuniu algumas pistas digitais. O documento submetido em tribunal menciona uma identificação do Discord, uma conta da rede social Reddit e sete perfis da plataforma Steam que estarão ligados ao pirata. A expectativa passa por solicitar ao juiz a emissão de intimações para que estas plataformas partilhem os dados associados aos perfis. Qualquer jogo precisa de ser comprado antes de sofrer modificações, o que significa que existem detalhes de pagamento registados nos servidores das lojas virtuais.
O objectivo final desta manobra legal passa por obter uma inibição judicial que impeça o pirata de continuar a quebrar bloqueios, mesmo em videojogos que ainda não foram desenvolvidos. Esta salvaguarda futura mostra-se essencial, dado que o número inicial de obras afectadas já se encontra desactualizado. Nas últimas semanas, surgiram novas modificações ilegais para títulos acabados de chegar ao mercado. Se a empresa conseguir uma decisão favorável, o processo de eliminação de contas e de ligações para descarregamento passará a ser muito mais célere, o que servirá também para dissuadir outros indivíduos de tentar a mesma proeza.
