A Agência da União Europeia para a Cibersegurança, ENISA, emitiu um aviso sobre o impacto das novas tecnologias nas defesas digitais. A agência concluiu que os modelos avançados de inteligência artificial estão a reduzir drasticamente o tempo que os piratas informáticos demoram a explorar falhas de segurança. Esta compressão da janela de oportunidade coloca uma pressão imensa sobre as equipas de resposta a incidentes. As empresas têm agora margens muito menores para aplicar as correcções necessárias antes que os sistemas sejam comprometidos de forma irreversível.
O panorama da cibersegurança mudou radicalmente nos últimos dois anos. Os cibercriminosos utilizam ferramentas de IA para automatizar a descoberta de vulnerabilidades e gerar código malicioso numa questão de segundos. A preocupação das autoridades europeias é evidente e estende-se a várias frentes tecnológicas, num esforço contínuo para compreender as novas plataformas de ataque. É precisamente neste contexto de mitigação de risco que a União Europeia obtém acesso ao modelo de inteligência artificial Mythos 5, um passo estratégico vital. A agência europeia sublinha que a defesa tem de evoluir ao mesmo ritmo da ameaça para evitar catástrofes à escala global.
A urgência na aplicação de correcções
Uma vulnerabilidade recém-descoberta costumava oferecer entre cinco a dez dias de tranquilidade até surgir o primeiro ataque estruturado. Actualmente, esse período encolheu para apenas duas ou três horas. Os especialistas alertam que a automação impulsionada pelas novas tecnologias permite analisar enormes volumes de código em tempo recorde e sem intervenção humana. Quando uma falha é tornada pública, os algoritmos maliciosos começam imediatamente a desenhar formas de a explorar. Para combater esta realidade veloz, as organizações precisam de adoptar sistemas de actualização automática.
O desafio para o futuro passa por integrar a própria inteligência artificial nos mecanismos de defesa das redes empresariais. A ENISA recomenda que as empresas invistam em ferramentas capazes de detectar anomalias de forma autónoma e proactiva. Espera-se que até 2026 mais de 50% das grandes infraestruturas europeias utilizem defesas baseadas em algoritmos preditivos para combater ameaças em tempo real, um salto significativo face aos 15% registados no ano passado. A corrida contra o tempo já começou. A sobrevivência digital depende agora de uma adaptação rápida a este novo paradigma tecnológico.
