O excesso de colesterol pode danificar as artérias de forma silenciosa durante vários anos, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Para combater este problema, investigadores da Universidade de Barcelona e da Universidade de Oregon desenvolveram métodos experimentais que oferecem caminhos inovadores para baixar os níveis de colesterol no sangue. A descoberta foi partilhada no dia 9 de Setembro de 2026, segundo o site Science Daily, e promete revolucionar a abordagem médica actual ao focar-se em terapias baseadas em ADN.
O alvo principal do tratamento
A nova abordagem tem como alvo a PCSK9, proteína que desempenha papel fundamental no controlo dos níveis de colesterol de lipoproteínas de baixa densidade, frequentemente chamado de colesterol mau. Ao suprimir a acção desta proteína, o tratamento ajuda as células a remover mais colesterol da corrente sanguínea, o que reduz a acumulação de placas de gordura no interior das artérias que podem levar à aterosclerose. Em vez de recorrer a estatinas, os cientistas utilizaram moléculas de ADN especialmente desenhadas, conhecidas como ganchos de polipurina, que conseguem interferir com a actividade de genes específicos para diminuir a produção da proteína problemática.
Resultados promissores em laboratório
As células utilizam receptores para capturar o colesterol em circulação, mas a proteína PCSK9 interfere neste processo ao reduzir o número de receptores disponíveis na superfície celular. A nova estratégia tenta travar este ciclo na origem ao reduzir a expressão do próprio gene. Durante o estudo, os investigadores testaram 2 moléculas específicas, denominadas HpE9 e HpE12, que se ligam a sequências de polipirimidina dos exões 9 e 12 através de ligações de Watson-Crick. Esta ligação bloqueia a transcrição do gene, seja por perturbação da actividade da enzima que produz o ARN ou por impedimento da fixação dos factores de transcrição ao ADN.
A eficácia da molécula HpE12
Os testes realizados em ratos transgénicos modificados para expressar o gene humano revelaram resultados surpreendentes, com a molécula HpE12 a demonstrar a maior eficácia. Nas células hepáticas humanas, esta molécula diminuiu os níveis de ARN em 74% e os níveis de proteína em 87%. Nos modelos animais, uma única injecção foi suficiente para reduzir os níveis plasmáticos da proteína em 50% e os níveis de colesterol em 47% ao fim de 3 dias. Embora a redução do colesterol tenha sido demonstrada com sucesso em ratos, os investigadores sublinham que será necessária investigação adicional para determinar se a abordagem é segura e eficaz em seres humanos, o que poderá abrir portas a alternativas viáveis aos medicamentos actuais.
