A IBM está a desenvolver um novo processador para mainframes desenhado para executar software Arm directamente ao lado de código IBM Z e LinuxONE. Esta abordagem inovadora poderá permitir aos clientes adicionar aplicações de inteligência artificial, nuvem e Linux enquanto mantêm as cargas de trabalho de transacções centrais no mesmo sistema. O processador foi mostrado durante o recente evento Hot Chips e representa uma mudança de paradigma na forma como a fabricante encara a infra-estrutura tecnológica. Em vez de colocar núcleos separados no mesmo chip ou recorrer a emulação, a empresa decidiu integrar o suporte a instruções Arm directamente no núcleo do mainframe.
Espera-se que o componente utilize 11 núcleos IBM Z fabricados num processo de 2 nanómetros, a operar a frequências superiores a 5,7 GHz. Cada um destes núcleos terá a capacidade de processar instruções Arm em simultâneo com as instruções nativas da arquitectura Z, facilitando a vida às empresas que precisam de gerir bases de dados complexas e software moderno na mesma máquina. O objectivo principal passa por combinar o vasto alcance do ecossistema de software Arm com a escalabilidade, segurança e alta disponibilidade que sempre caracterizaram as plataformas da marca norte-americana.
Foco na inteligência artificial e velocidade
Para garantir que o desempenho se mantém irrepreensível, o chip vai incluir um conjunto de aceleradores especializados, destacando-se o hardware de inferência de inteligência artificial destinado à detecção de fraudes em tempo real durante as transacções financeiras. A arquitectura engloba ainda uma unidade de processamento de dados para acelerar as entradas e saídas, bem como aceleradores independentes para compressão, criptografia e ordenação de dados. O sistema de memória intermédia é igualmente substancial, oferecendo 36 MB de cache L2 privada, 432 MB de cache L3 virtual e até 3,5 GB de cache L4 virtual, recursos pensados especificamente para manter a latência extremamente baixa em ambientes de grande exigência e bases de dados massivas.
O futuro da infra-estrutura empresarial
Embora a fabricante ainda não tenha baptizado oficialmente o processador nem anunciado o sistema final que o vai utilizar, a expectativa é que o design chegue ao mercado em 2028, possivelmente a integrar a futura família de mainframes z18. Esta integração surge numa altura em que a arquitectura Arm ganha um papel cada vez maior na infra-estrutura das empresas, suportada por um ecossistema que abrange mais de 22 milhões de programadores. Como os sistemas Z e LinuxONE da IBM processam actualmente 68 por cento das cargas de trabalho de produção de tecnologias de informação a nível mundial, sendo a escolha de eleição para 77 dos 100 maiores bancos do mundo, esta união de arquitecturas promete modernizar o sector financeiro sem comprometer a estabilidade que define a plataforma há décadas.
