Os cientistas acabam de lançar o maior mapa a cores 2D do universo alguma vez criado. Esta representação de alta resolução abrange quase quatro mil milhões de objectos celestes e cobre três quartos do céu nocturno. O projecto resulta do trabalho exaustivo da equipa do Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) Legacy Imaging Surveys.
Treze anos a fotografar o cosmos
O mapa digital impressiona ao apresentar 5,6 biliões de píxeis, um resultado que demorou treze anos a ser alcançado. Para compilar este retrato cósmico, os investigadores combinaram 263 407 exposições individuais, recolhidas ao longo de 2285 noites a partir de três grandes levantamentos astronómicos. Entre as infraestruturas fundamentais para o projecto estão o Telescópio Nicholas U. Mayall e o Telescópio Víctor M. Blanco, ambos equipados com a Dark Energy Camera (DECam).
A astronomia moderna gera volumes de dados colossais, algo evidente quando olhamos para projectos que recriam a evolução do cosmos através de petabytes de informação. O processamento desta quantidade massiva de imagens exigiu um esforço computacional e científico ímpar.
O caminho para a terceira dimensão
Esta fotografia expansiva não serve apenas para deslumbrar os entusiastas da astronomia. Na verdade, fornece a estrutura de alvos essencial para a missão principal do DESI: construir o maior mapa 3D do cosmos. Tal como a cartografia serve de ponto de partida para grandes descobertas, este levantamento 2D permite extrair coordenadas precisas e medições de brilho.
A partir daqui, o sistema utiliza milhares de fibras óticas robóticas para analisar espectros de luz e medir desvios para o vermelho (redshifts), convertendo posições planas no céu em distâncias cósmicas reais.
Acesso público e interactivo
Todo o conjunto de dados está acessível ao público através do Legacy Survey Sky Viewer. Esta plataforma interactiva permite que investigadores profissionais, estudantes e cidadãos curiosos explorem o Universo a partir de qualquer browser.
Para compreender a magnitude deste lançamento, é importante destacar alguns pontos cruciais do projecto:
- A resolução astronómica atinge os 5,6 biliões de píxeis, a criar uma tapeçaria visual sem paralelo na história da observação espacial.
- O mapeamento abrange cerca de três quartos de todo o céu nocturno visível, a catalogar quase quatro mil milhões de galáxias, estrelas e outros corpos celestes.
- A democratização do acesso aos dados científicos permite que qualquer pessoa com ligação à Internet possa navegar pelas profundezas do espaço de forma gratuita e intuitiva.
Como referiu Arjun Dey, astrónomo do NSF NOIRLab e co líder do levantamento, as explorações do nosso Universo começam sempre com imagens do céu nocturno. O investigador sublinha que os céus pertencem a todos e que este projecto dá a qualquer pessoa a oportunidade de se maravilhar com os seus mistérios, sem depender exclusivamente de grandes empresas ou instituições fechadas.
