A Microsoft encerrou o quarto trimestre do ano fiscal de 2026 a registar números históricos, impulsionados pela forte procura por produtos de inteligência artificial e serviços na nuvem. A gigante tecnológica alcançou receitas na ordem dos 90 mil milhões de dólares, o que representa um aumento de 18% face ao período homólogo. O lucro líquido também deu um salto significativo de 31%, a fixar-se nos 35,8 mil milhões de dólares. No cômputo geral do ano fiscal, a empresa gerou 331,8 mil milhões de dólares em receitas.
O motor da nuvem e do Copilot
A divisão Microsoft Cloud continua a ser a principal força motriz da empresa, ao gerar 59,3 mil milhões de dólares num único trimestre. Pela primeira vez, as receitas anuais do Azure ultrapassaram a barreira dos 100 mil milhões de dólares. O impacto da inteligência artificial é inegável, com o Microsoft 365 Copilot a ultrapassar os 30 milhões de utilizadores pagos. A plataforma de programação GitHub Copilot também regista um crescimento notável, ao atingir 50 milhões de utilizadores, provando que os agentes de IA são cada vez mais essenciais para quem escreve código.
Estratégia independente e foco na segurança
Apesar de deter participações valiosas na OpenAI e na Anthropic, a Microsoft começa a traçar um caminho mais independente. Como avança o TechCrunch, o director executivo Satya Nadella está a aconselhar as empresas a não dependerem exclusivamente de um único modelo de linguagem, alertando para os perigos de partilhar segredos industriais com entidades externas.
Para mitigar estes receios e evitar fugas de dados que muitas vezes resultam em ataques de extorsão, a Microsoft propõe os seus próprios modelos da família MAI, executados nos processadores Maya 200. Esta abordagem visa oferecer custos mais baixos e maior controlo, algo que se alinha com os esforços recentes onde a tecnológica estreou ferramentas inteligentes para identificar vulnerabilidades nas infraestruturas dos clientes.
Dificuldades no mercado de consumo e na Xbox
Se o sector empresarial floresce, o mercado de consumo apresenta desafios. As receitas de dispositivos e licenças Windows caíram 7%, enquanto o conteúdo e serviços da Xbox registaram uma quebra de 10%. A divisão de videojogos, agora liderada por Asha Sharma, enfrenta custos de produção elevadíssimos devido à crise de memória RAM.
Estima-se que a empresa esteja a perder cerca de 150 dólares por cada consola Xbox Series X e S vendida, mesmo após o novo aumento de preços planeado para Agosto de 2026. Este cenário financeiro delicado junta-se a outros desafios técnicos recentes, que obrigaram a marca a justificar as falhas de rede que impediram os jogadores de aceder aos seus jogos.
