Muitos utilizadores já deram o salto para o Windows 11, mas uma facção resistente recusa-se a abandonar o sistema operativo anterior. De acordo com o site TechSpot, cerca de um sexto dos computadores a nível global ainda está a executar o Windows 10, um cenário que pode rapidamente transformar-se num desastre de segurança para a indústria tecnológica.
O peso das vulnerabilidades
A empresa de gestão de activos Lansweeper soou os alarmes ao constatar que 17% dos dispositivos Windows continuam no sistema mais antigo. Enquanto o Windows 11 já domina com cerca de 78% de quota de mercado, a base de utilizadores que ficou para trás enfrenta riscos crescentes. Um dispositivo típico com Windows 10 regista, em média, 1903 vulnerabilidades de segurança activas. Este número representa quase o triplo das 652 falhas detectadas numa máquina com Windows 11. O problema agrava-se quando percebemos que 66% destas falhas são classificadas como altas ou críticas.
A Microsoft encerrou o suporte oficial em Outubro de 2025. No entanto, para mitigar o impacto, a gigante tecnológica decidiu prolongar o período de actualizações de segurança pagas através do programa ESU até Outubro de 2027. Na Europa, os utilizadores beneficiam de uma opção gratuita até Outubro de 2026, mas o cenário de obsolescência tem gerado descontentamento, ao ponto de grupos ambientalistas terem organizado um protesto fúnebre para assinalar a morte do sistema.
As empresas que resistem à mudança
Quando olhamos para o tecido empresarial, as pequenas e médias empresas são as que mais adiam a transição, com 21,4% dos seus equipamentos ainda na versão antiga, em comparação com os 16,6% das grandes empresas. Por sectores, a área da saúde e farmacêutica lidera a resistência (23%), seguida pelo retalho (22%) e pela indústria transformadora (18%).
Esta inércia ocorre mesmo com a Microsoft a reduzir progressivamente as funcionalidades, como ficou claro quando confirmou que o serviço de armazenamento na cloud deixará de funcionar nestas máquinas a partir de 2028.
A recomendação dos especialistas passa por inscrever os equipamentos no programa ESU para limitar os riscos a curto prazo. Contudo, a longo prazo, as organizações precisam de planear a substituição do hardware envelhecido por máquinas mais recentes, uma tarefa complexa face aos elevados custos actuais do mercado informático.
