A Google viu-se obrigada a limitar a utilização do seu modelo de inteligência artificial Gemini por parte da Meta, depois de a empresa liderada por Mark Zuckerberg ter excedido a capacidade de processamento acordada. A informação, avançada pelo site Engadget, demonstra que até as maiores gigantes tecnológicas enfrentam dificuldades em garantir poder computacional suficiente para as suas operações.
A corrida pela infra-estrutura
Ao contrário de outras grandes empresas do sector, a Meta não possui um negócio próprio de computação na nuvem. Para colmatar esta falha, a tecnológica está a tentar expandir rapidamente os seus centros de dados, com a promessa de investir 600 mil milhões de dólares nesta área ao longo dos próximos dois anos.
O aviso sobre os limites de capacidade terá chegado em Março, o que obrigou a dona do Facebook e do Instagram a pedir aos seus funcionários que passassem a usar os tokens de forma mais eficiente.
O papel do Gemini nas operações da Meta
Apesar de desenvolver os seus próprios modelos de linguagem, a Meta recorre ao Gemini para diversas tarefas internas e externas. A escolha inicial recaiu sobre a solução da Google porque esta apresentou um desempenho superior ao do modelo de código aberto Llama. As principais áreas de aplicação incluem:
- Assistência ao cliente e publicidade: A criação de chatbots para apoiar anunciantes e resolver problemas de utilizadores de forma automatizada.
- Programação e desenvolvimento: O auxílio aos engenheiros de software na escrita e revisão de código informático.
- Segurança e moderação: A detecção de esquemas fraudulentos e a remoção rápida de conteúdos prejudiciais nas redes sociais.
Para além da tecnologia da Google, a Meta também emprega outros modelos, como o Claude da Anthropic, para fins semelhantes.
Desafios globais de processamento
Apesar dos milhares de milhões gastos em centros de dados, as grandes empresas continuam a lutar para obter capacidade suficiente para as suas necessidades. A própria Google concordou recentemente em pagar 920 milhões de dólares por mês à SpaceX para usar os centros de dados da xAI, devido ao poder de processamento extra exigido pelo Gemini Enterprise.
Embora a ferramenta esteja a expandir as suas funcionalidades, o custo computacional continua a ser um obstáculo. Os preços dos tokens dispararam recentemente, o que forçou várias empresas a recuar na utilização de inteligência artificial, um problema que afecta até os próprios criadores destas tecnologias.