A discussão sobre crianças e tecnologia costuma ficar presa a uma pergunta simples: qual é a idade certa para dar um smartphone a um filho? Para a SPC, a questão relevante é outra. O desafio não estará no momento em que a tecnologia entra na vida das crianças, mas na forma como isto acontece.
Foi precisamente esta a filosofia que serviu de mote à SPC para a apresentação de um novo ecossistema digital para famílias, que sucede ao Care, para seniores: a Circles. Esta é uma plataforma de comunicação e acompanhamento familiar que passa a servir de base a uma nova geração de dispositivos infantis e juvenis da marca.
«As crianças não precisam de falar com o mundo. Precisam de falar com os pais», resumiu Manuel Ferreira, country manager da SPC para Portugal. Desta forma, a empresa pretende afirmar-se como uma «referência europeia» neste segmento. Para isso, criou um um ecossistema que tem como objectivo «reduzir os riscos associados à utilização precoce da tecnologia».
Contudo, em vez de apresentar mais uma solução de controlo parental tradicional, a SPC fala em «acompanhamento familiar», onde o Circles propõe uma abordagem de «círculos de confiança fechados e supervisionados», onde pais, irmãos, avós e outros familiares autorizados podem comunicar com as crianças. «Nenhum contacto entra sem aprovação prévia dos adultos responsáveis», esclareceu Manuel Ferreira.
A plataforma, «desenvolvida integralmente na União Europeia e compatível com Android e iOS», inclui algumas funcionalidades pouco habituais neste segmento. Por exemplo, as fotografias partilhadas «não podem ser exportadas para outras aplicações nem capturadas através de screenshots», uma forma de evitar que o conteúdo circule fora do ambiente protegido, criado pela família.
Outro aspecto distintivo é a forma como as regras são definidas. Durante a configuração inicial, pais e filhos são «convidados a responder a várias perguntas sobre hábitos, expectativas e rotinas digitais». A partir destas respostas, surge uma «proposta de compromisso familiar, que pode ser ajustada e negociada em conjunto», explicou o country manager.
Finalmente, há mais uma característica interessante: a forma como se gerem os equipamentos. Em vez de «aplicar regras ao utilizador, o controlo é feito por dispositivo», o que permite, segundo Manuel Ferreira, «definir limites diferentes consoante o propósito de cada produto: comunicar, aprender, entreter ou garantir segurança».
A estreia deste ecossistema acontece através da nova gama Wuum, destinada às crianças, com o destaque a ser o Wuum One (179,90 euros), um dispositivo de cinco polegadas que a SPC descreve como o «primeiro telemóvel evolutivo do mercado».
À primeira vista, parece um smartphone Android convencional, mas o conceito é bastante diferente, dado que pode começar por ser «apenas um leitor de música» e, gradualmente, «desbloquear funcionalidades como câmara, chamadas, mensagens, aplicações ou acesso à Internet» – tudo depende das regras definidas pelos pais.
Na prática, um dos cenários possíveis passa por permitir apenas a utilização do YouTube Kids aos fins-de-semana, enquanto outras funcionalidades permanecem bloqueadas. O objectivo da SPC é evitar que a passagem do primeiro dispositivo para um smartphone completo aconteça de «forma abrupta».
Ao lado do Wuum One surge o Wuum Tab (179,90 euros), um tablet Android de 10,1 polegadas concebido, sobretudo, para «utilização doméstica», seja para conteúdos educativos, séries ou jogos. Ambos os equipamentos incluem ecrãs mate para reduzir a fadiga visual e chegam com o SPC Circles integrado de origem.
Mas estratégia “infantil” da SPC não termina com os Wuum. Manuel Ferreira revelou que a empresa prepara novos lançamentos para os próximos meses, entre estes estão o relógio Wuum Watch e os modelos para pré-adolescentes da gama Wild: Watch (relógio), Star (smartphone) e Cool (telemóvel clamshell).