Mais de três anos depois do início da implementação das vistas gerais de Inteligência Artificial, a Google prepara-se para dar aos administradores de páginas web a opção de excluir os seus domínios destes resultados gerados por IA. De acordo com um artigo publicado no The Keyword, o blogue oficial da Google, a gigante tecnológica vai começar a testar um novo botão na Search Console para devolver o controlo aos criadores de conteúdos.
O funcionamento da nova ferramenta de exclusão
A empresa revelou que os proprietários de páginas web vão poder decidir se os seus artigos aparecem e ajudam a fundamentar as mais recentes funcionalidades de pesquisa baseadas em Inteligência Artificial. Numa fase inicial, a Google vai testar esta opção com um pequeno grupo de domínios no Reino Unido, planeando depois um lançamento à escala global.
É importante sublinhar que os sites que optarem por ficar de fora não vão receber tráfego ou impressões provenientes das ferramentas generativas. No entanto, a tecnológica garante que esta escolha não terá qualquer impacto no posicionamento dos resultados nas pesquisas tradicionais. Esta medida junta-se a outras políticas recentes de qualidade de navegação, numa altura em que a empresa também procura penalizar as páginas que impedem os utilizadores de usar o botão de retroceder no browser.
A pressão das autoridades britânicas
A criação desta alternativa de exclusão não surge por acaso. A Autoridade da Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA) impôs esta nova regra à Google devido ao poder de mercado desproporcional da gigante das pesquisas. O objectivo principal é colocar os editores, especialmente as organizações de notícias, numa posição mais forte para negociar acordos de conteúdo.
O governo britânico já tinha anunciado em Janeiro a intenção de forçar a implementação de uma medida de exclusão para garantir um acordo mais justo para os criadores. A Google respondeu em Março, a comprometer-se a desenvolver actualizações para permitir esta recusa específica.
Novas métricas e a relação com os editores
A par do novo botão, a empresa está a começar a disponibilizar novas estatísticas na Search Console. O objectivo é fornecer aos administradores mais informações sobre quais as páginas que aparecem nas respostas de IA e em que países. Esta expansão de ferramentas analíticas e financeiras tem sido uma tendência, visível também na recente chegada de novos recursos de análise de mercado à Europa.
O anúncio surge poucas semanas após a conferência de programadores I/O 2026, onde a tecnológica apresentou uma interface de pesquisa dinâmica capaz de processar vários formatos de entrada. Apesar da inovação, existe um ressentimento crescente por parte dos editores que fornecem a informação que alimenta estas ferramentas. Roger Lynch, CEO da Condé Nast, chegou mesmo a afirmar recentemente que as empresas de media devem assumir que o tráfego proveniente de pesquisas vai cair drasticamente, focando-se em encontrar alternativas para manter as receitas.