A Computex 2026 serviu de palco para a Intel revelar a sua estratégia para o futuro dos centros de dados, uma área em profunda transformação devido à ascensão da inteligência artificial. De acordo com o site Neowin, a marca prevê que, em apenas cinco anos, as cargas de trabalho se dividam de forma igual entre tarefas tradicionais, como o alojamento de serviços web acedidos através do browser, e processos de IA, com grande foco na inferência. Para dar resposta a esta realidade, a gigante tecnológica apresentou soluções que procuram maximizar o desempenho por watt e a largura de banda.
O poder dos novos processadores Xeon 6+
A grande estrela no segmento dos servidores é a linha Clearwater Forest, que introduz os novos processadores Xeon 6+ equipados com núcleos de eficiência (E-cores). Esta arquitectura, baseada no processo 18A, foi desenhada para oferecer uma densidade extrema às empresas.
- Até 288 núcleos: Os clientes vão ter à disposição chips com um máximo de 288 E-cores baseados na arquitectura Darkmont. Cada bloco de processamento inclui seis módulos, e a união de doze destes blocos forma o modelo topo de gama, ideal para lidar com múltiplas tarefas em simultâneo.
- Memória e cache optimizadas: Estes processadores suportam memória DDR5 de 12 canais a 8000 MT/s, um feito notável para ambientes de servidor que exigem estabilidade máxima. A acompanhar, estão 576 MB de cache de último nível (LLC) de baixa latência para acelerar o acesso aos dados.
- Eficiência energética: A Intel promete um desempenho médio por thread 30% superior ao da concorrência directa. Para ajudar a gerir os consumos, a tecnologia Application Energy Telemetry (AET) recolhe dados de energia directamente do chip, o que reduz a sobrecarga do sistema operativo e permite optimizações precisas ao nível do software.
Além dos modelos de topo, a marca revelou a série Xeon 6300 para servidores de entrada em pequenas e médias empresas, agora com até 12 núcleos, e o controlador Ethernet E835, capaz de atingir velocidades de transferência de 200 Gb.
Crescent Island eleva a fasquia gráfica
Para complementar os processadores centrais, a Intel detalhou a placa gráfica Crescent Island, desenhada especificamente para centros de dados e aceleração de inteligência artificial. Baseada na arquitectura Arc Xe 3P, a mesma que serve de fundação a algumas das próximas consolas portáteis do mercado, este GPU impressiona pela capacidade de memória.
O novo modelo integra até 480 GB de VRAM LPDDR5X, um aumento substancial face aos 160 GB anunciados no ano passado. O arrefecimento é assegurado por um sistema a ar preparado para lidar com um TDP de 350 W. Esta solução suporta uma vasta gama de formatos de dados, desde FP4 nativo até FP64, o que a torna ideal para as exigências da inferência de IA moderna.
IA Física e o avanço na robótica
A inteligência artificial não vive apenas nos servidores em nuvem. A Intel quer levar o processamento para a “borda” (edge computing) através da nova framework OpenVINO Physical AI. A IA Física combina modelos de linguagem e visão com sistemas mecânicos, o que permite que as máquinas percepcionem o ambiente e tomem decisões em tempo real.
Seja em drones, veículos autónomos ou equipamentos inteligentes para a lida da casa, o processamento local é vital para reduzir a latência e garantir a segurança. Ao aliar esta framework aos processadores Core Ultra Series 3 (arquitectura Panther Lake), a Intel oferece uma plataforma unificada de hardware e software. Esta abordagem elimina a necessidade de sistemas duplos complexos, o que reduz os custos totais de propriedade e facilita a manutenção por parte de quem desenvolve soluções robóticas.