Um estudo da ConsumerChoice revela que 95% dos portugueses consideram o cyberbullying um problema grave em Portugal, embora o fenómeno continue a ser «desvalorizado» e nem sempre acompanhado por «respostas eficazes». Segundo os dados recolhidos, 93% dos inquiridos já ouviram falar do tema, 56% já testemunharam situações de cyberbullying e 18% afirmam já ter sido vítimas.
A utilização intensiva da Internet ajuda a explicar a dimensão do problema: de acordo com o estudo, 79% dos portugueses acedem à Internet várias vezes por dia, sobretudo para redes sociais, entretenimento e informação. Esta presença constante no digital aumenta também a exposição a «comportamentos abusivos».
Entre as situações mais frequentes estão comentários ofensivos, referidos por 83% dos inquiridos; partilha de conteúdos sem consentimento, ameaças e humilhação pública. Apesar de 76% dos utilizadores considerarem que estão bem informados sobre segurança online, 10% admitem «não saber como reagir perante uma situação de cyberbullying» e 5% optam por «ignorar o problema».
O estudo aponta ainda para «falhas na formação e na informação disponível». Apenas 38% dos entrevistados assumem ter recebido treino sobre segurança online e 61% consideram que «falta informação» sobre como agir nestes casos. Para 84%, a informação actualmente disponível «não é suficientemente clara».
Entre as medidas defendidas pelos consumidores estão «ferramentas mais eficazes nas plataformas digitais, mais campanhas de sensibilização, maior investimento em formação e mais apoio psicológico às vítimas». Já sobre a responsabilidade, esta tem de ser «partilhada entre família, escola, empresas tecnológicas, Estado e utilizadores».
Finalmente, como consequências mais associadas ao cyberbullying são apontadas a «ansiedade, a depressão, o isolamento social, problemas de auto-estima e o impacto no desempenho escolar ou profissional». Para 88% dos inquiridos, a educação sobre o tema deve ser «reforçada», nas escolas.