A Google surpreendeu durante a edição I/O do Android Show, que decorreu ontem, ao anunciar uma nova linha de computadores portáteis. A tecnológica norte-americana prepara-se para lançar o Googlebook, um dispositivo desenhado para competir directamente com o MacBook Neo da Apple. Pouco tempo após a revelação oficial, a Intel recorreu à rede social X para confirmar que vai fornecer os processadores para esta nova aposta da Google. De acordo com a publicação da fabricante de semicondutores, as duas empresas estão a colaborar há bastante tempo para criar equipamentos potentes e desenhados para a inteligência artificial.
Esta confirmação surge num momento em que a gigante das pesquisas procura redefinir a sua presença no mercado de computadores. Como já tínhamos noticiado sobre a apresentação desta nova geração de portáteis centrados em IA, o objectivo passa por oferecer uma experiência de utilização superior. A Intel refere que está entusiasmada por participar no projecto, embora não tenha revelado detalhes técnicos específicos sobre o silício escolhido. No entanto, informações a circular na indústria indicam que a Google poderá usar a família de processadores Core Series 3 da Intel, conhecidos pelo nome de código Wildcat Lake. Existe a possibilidade de a fabricante disponibilizar uma versão optimizada destes chips ou até mesmo um processador desenhado à medida para as necessidades específicas da Google.
Apesar do destaque dado à Intel, a Google não se vai limitar a uma única arquitectura. A empresa também estabeleceu parcerias com a MediaTek e a Qualcomm, o que sugere que poderemos ver versões do equipamento a usar chips como o Snapdragon X2 Elite. No que diz respeito ao design exterior, todos os modelos vão apresentar uma construção de qualidade superior, com um detalhe estético distintivo que se traduz numa barra de luz na tampa do ecrã. Espera-se também que estes portáteis ofereçam múltiplas ligações e entradas USB de alta velocidade para ligar periféricos externos.
We’re thrilled to partner with @Google on something we’ve been building with them – Googlebook.
Premium, powerful devices designed for Intelligence. We can’t wait to get it into your hands this fall.
Learn more at https://t.co/KEF9BpwmLl#Googlebook #NEXT #Intel pic.twitter.com/PoZClUEFPI
— Intel (@intel) May 13, 2026
O software que une dois mundos
A grande novidade do Googlebook reside na sua abordagem ao sistema operativo. A Google pretende fundir o ChromeOS com o Android e a loja Google Play numa única plataforma unificada. Rumores sugerem que este novo software poderá adoptar o nome de Aluminum OS, um tema que deverá ser explorado em detalhe na conferência I/O da próxima semana. Esta fusão permite aos programadores criar aplicações apenas uma vez para smartphones e, de seguida, adaptá-las para os portáteis, carros e dispositivos de realidade mista com ajustes mínimos. Toda a experiência de navegação web será feita através de um browser optimizado para a nova arquitectura.
No centro desta experiência está a inteligência artificial Gemini. A Google desenvolveu uma funcionalidade inovadora chamada Magic Pointer. Os utilizadores podem agitar o cursor para activar o modo Gemini, o que permite obter sugestões contextuais, resumos de conteúdos e executar tarefas multimodais de forma intuitiva. Além disso, o sistema oferece suporte nativo para aplicações Android, o que elimina a necessidade de emulação, e permite a criação de widgets personalizados através da inteligência artificial. O sistema garante ainda acesso directo aos ficheiros e aplicações do smartphone do utilizador. Contudo, a plataforma apresenta algumas limitações iniciais, visto que aplicações profissionais como o Codex ou o Claude Cowork vão necessitar de software adicional para mostrar os conteúdos e funcionar correctamente.
As cinco marcas parceiras do projecto
Para garantir uma distribuição global e uma variedade de opções de hardware, a Google reuniu um grupo de peso no mercado dos computadores. Durante a apresentação, a empresa confirmou que vai trabalhar com cinco parceiros de fabrico para construir e comercializar os novos portáteis para os consumidores finais. As marcas envolvidas no desenvolvimento destes equipamentos são as seguintes
- Acer, que vai integrar a nova plataforma nas suas linhas de consumo para garantir opções diversificadas.
- ASUS, uma marca conhecida por aliar design e desempenho nos seus computadores portáteis.
- Dell, que traz a sua vasta experiência no mercado empresarial e de consumo para o projecto.
- HP, um dos maiores fabricantes mundiais de computadores, para assegurar uma forte presença no retalho.
- Lenovo, a empresa que lidera as vendas globais de PC e que promete expandir o alcance desta nova categoria de dispositivos.
Estratégia de mercado e lançamento
A chegada do Googlebook não significa o fim dos actuais Chromebooks, que vão continuar a ser comercializados. A nova linha posiciona-se num segmento superior, com o lançamento previsto para o outono de 2026. O grande desafio será o preço. A Google tem como objectivo atingir a marca dos 599 dólares, um valor que, a confirmar-se, vai colocar uma enorme pressão sobre a Apple e o seu MacBook Neo. Com tantas marcas parceiras envolvidas, a probabilidade de pelo menos uma conseguir atingir este patamar de preço é bastante elevada.
Curiosamente, a estratégia da Intel para combater a Apple água em duas frentes distintas. Ao mesmo tempo que fornece os processadores Wildcat Lake para impulsionar a alternativa da Google, a fabricante de semicondutores assinou recentemente um acordo com a própria Apple para produzir os seus chips principais. Isto significa que a próxima geração do MacBook Neo poderá ser fabricada nas instalações da própria Intel, o que demonstra a complexidade das actuais parcerias na indústria tecnológica.