A Comissão Europeia recomendou recentemente que os Estados-membros da União Europeia excluam a Huawei e a ZTE das suas infraestruturas de conectividade. A directriz afecta directamente os operadores de telecomunicações, que passam a ser aconselhados a não utilizar equipamentos de nenhuma das empresas tecnológicas chinesas nas suas redes.
De acordo com a agência Reuters, as novas regras de cibersegurança podem mesmo conceder à União Europeia a possibilidade de proibir a utilização de hardware proveniente de fornecedores classificados como sendo de alto risco. Esta proibição seria válida para todo o mercado europeu e obrigaria as empresas de telecomunicações a procurar alternativas noutros fabricantes para garantir a manutenção e a expansão das redes actuais. A transição pode obrigar os operadores a executar tarefas complexas de substituição de infraestruturas, o que representa um desafio logístico e financeiro considerável.
A resposta e as ameaças da China
Este é um desenvolvimento com grande impacto geopolítico, especialmente porque a China ameaçou com contramedidas na semana passada. O governo chinês classificou as novas regras de cibersegurança como discriminatórias e indicou que podem vir a ser aplicadas sanções como resultado de toda esta situação.
A resposta oficial da China também mencionou a proposta europeia que incentiva a compra de tecnologia desenvolvida na Europa, e não apenas as novas directrizes de segurança. A diplomacia chinesa acrescentou que as novas normas violam as regras da Organização Mundial do Comércio e são prejudiciais para o comércio e para a cooperação entre a União Europeia e o país asiático.
Um diplomata chinês, cujo nome a Reuters recusou publicar a pedido do próprio, não especificou quais serão as contramedidas exactas, mas fez questão de referir que o bloco europeu está a aplicar critérios duplos nesta matéria. Se as posições se mantiverem inalteradas num futuro próximo, este cenário pode representar um problema muito grave nas relações diplomáticas e comerciais. O impacto pode afectar drasticamente as importações e exportações de tecnologia entre os dois mercados.
O contexto da indústria europeia
O que também merece destaque nesta notícia é o facto de o plano industrial europeu fazer parte de um esforço mais amplo para ajudar as indústrias locais a competir com os rivais dos Estados Unidos e da China. Estes países não enfrentam as regulamentações rigorosas nem os elevados preços de energia que se verificam na Europa, o que leva a União Europeia a considerar a actual concorrência como injusta.
A intenção de afastar a Huawei e a ZTE não é um tema totalmente novo, mas a formalização destas recomendações mostra uma postura mais rígida por parte de Bruxelas. O objectivo passa por garantir que as redes de comunicações europeias se mantêm seguras e independentes de empresas que, segundo as autoridades europeias, podem estar sujeitas a pressões de governos estrangeiros. Resta agora aguardar pelas próximas semanas para perceber como os Estados-membros vão aplicar estas recomendações e de que forma a China vai concretizar as suas ameaças de retaliação comercial.