Nesta terça-feira, a Valve anunciou oficialmente os preços e a disponibilidade do novo Steam Controller. Como seria de esperar, este anúncio levou a comunidade a colocar questões sobre outros projectos de hardware da empresa, nomeadamente o muito aguardado Steam Deck 2. Para esclarecer as dúvidas, Pierre-Loup Griffais, programador da Valve, confirmou numa entrevista recente à IGN que a equipa está a trabalhar activamente na próxima consola portátil. No entanto, o responsável indica que ainda não existe qualquer janela de lançamento definida, o que deixa os fãs a aguardar por mais novidades.
A exigência de um verdadeiro salto geracional
A primeira versão do Steam Deck chegou ao mercado em Fevereiro de 2022 e teve um impacto profundo no mercado dos videojogos para PC em formato portátil. O trabalho contínuo da empresa na optimização de energia e no software Proton ajudou a manter o dispositivo competitivo mais de quatro anos após o lançamento original. Aliás, o sucesso desta camada de compatibilidade tem sido tão expressivo que o número de jogadores a utilizar Linux na plataforma duplicou no último ano, a provar a eficácia do sistema operativo da marca.
Apesar de a consola ter recebido uma actualização em Novembro de 2023 com o modelo OLED, que integra um ecrã melhorado, melhor dissipação térmica, ligações sem fios mais rápidas e maior autonomia, a arquitectura gráfica manteve-se na mesma classe, baseada em AMD RDNA2. De acordo com as declarações anteriores da marca, o sucessor não vai chegar ao mercado como uma simples actualização menor. A Valve não tem interesse em lançar um novo modelo para oferecer apenas mais 20% ou 30% de desempenho. A empresa exige um salto geracional substancial, capaz de executar tarefas muito mais pesadas, mas com uma condição estrita: a autonomia da bateria não pode ser sacrificada. Isto sugere que a marca não procura depender apenas de funcionalidades de software, como a geração de fotogramas, para mostrar números mais altos aos consumidores.
Rumores sobre o hardware e a concorrência
Como a Valve condiciona o lançamento aos avanços tecnológicos dos processadores e não a um calendário fixo, a espera promete ser longa. Várias fontes da indústria sugerem que a empresa pode estar a aguardar que as arquitecturas RDNA 4 ou RDNA 5 da AMD atinjam níveis ideais de eficiência, desempenho e preço. Só assim será possível colocar um chip poderoso numa consola portátil sem impactar drasticamente a duração da bateria. O design de um novo processador exige tempo, e a equipa precisa de saber exactamente como o chip se comporta antes de desenhar o interior da consola.
Além disso, uma notícia recente sugere que o Steam Deck 2 pode abandonar o uso de uma APU semi-personalizada da AMD. Em vez disso, a Valve poderá optar por um processador já existente no mercado. Esta estratégia disponibiliza uma maior flexibilidade para a empresa reagir às condições do mercado e às actualizações de processadores a meio do ciclo. Os mesmos rumores apontam para um possível lançamento apenas em 2028. Quando esse momento chegar, a Valve poderá ter de enfrentar uma concorrência muito mais feroz, com empresas como a Sony a perfilar-se como potenciais rivais de peso no segmento portátil de alto desempenho.
A herança dos projectos anteriores
Apesar da ausência de datas concretas, o desenvolvimento continua a avançar a bom ritmo nos escritórios da marca. Segundo Pierre-Loup Griffais, todos os projectos de hardware da empresa estão interligados e servem para acumular conhecimento técnico. O programador refere que é possível traçar uma linha recta desde o Steam Controller original e a Steam Machine até ao Steam Deck actual.
Tudo o que a empresa está a anunciar e a enviar para as lojas este ano, incluindo o Steam Frame e a recente atualização de software para suportar a nova Steam Machine, vai servir de base para o futuro. Griffais nota que o Steam Deck 2 será o culminar de todas as lições que a Valve aprendeu ao longo dos anos a desenvolver hardware dedicado aos videojogos. A integração de hardware e software tem sido o grande trunfo da marca, que até já permite que os utilizadores explorem os limites do código aberto, ao ponto de conseguir executar jogos da loja digital na Nintendo Switch já ser uma realidade graças ao Proton.
Para já, os jogadores terão de continuar a desfrutar da versão actual, que continua a receber suporte constante através de actualizações de sistema e melhorias no browser integrado. A Valve parece comprometida com um ciclo de vida longo para os seus dispositivos, a disponibilizar pequenas optimizações enquanto o hardware de próxima geração não atinge os padrões de excelência exigidos. A promessa de um dispositivo portátil capaz de rivalizar com computadores de secretária modernos mantém-se viva, mas a paciência será a maior aliada dos fãs.