A SpaceX captou a atenção dos investidores e do público ao longo dos anos, impulsionada pelos lançamentos de foguetões reutilizáveis e pela rede Starlink. Agora, a empresa espacial prepara-se para dar o maior passo financeiro da sua história de 24 anos. Segundo o site TechCrunch, a oferta pública inicial (IPO) fixou o preço de 555,6 milhões de acções a 135 dólares cada, com o objectivo de angariar 75 mil milhões de dólares.
Este movimento torna-se a maior operação do género de sempre e prepara o terreno para que Elon Musk se torne o primeiro bilionário do mundo, consolidando a entrada da empresa no mercado de capitais como um marco histórico na economia global.
Os números por trás do negócio
O documento de registo S-1 entregue aos reguladores oferece uma visão sem precedentes sobre as finanças da empresa. Em 2025, a SpaceX registou perdas de 4,9 mil milhões de dólares, face a receitas superiores a 18 mil milhões. Este valor representa apenas uma fracção dos mais de 37 mil milhões de dólares perdidos desde a fundação da empresa.
Apesar dos prejuízos acumulados, a operação promete criar riqueza imediata para muitos. Estima-se que cerca de 4400 funcionários da empresa possam tornar-se milionários da noite para o dia. No topo da hierarquia, Elon Musk consolida o seu poder, ao manter cerca de 85,1% dos direitos de voto. Esta percentagem garante-lhe um controlo quase monárquico sobre a versão pública da empresa, muito superior ao que outros fundadores do sector tecnológico costumam deter.
O peso da inteligência artificial e os acordos milionários
O processo de entrada na bolsa detalha um negócio dominado pela oferta de Internet por satélite da Starlink, mas também pelas perspectivas futuras através da divisão xAI. Antes de chegar ao mercado, a SpaceX garantiu uma série de acordos estratégicos para melhorar o seu balanço financeiro, ao vender capacidade de processamento a outras gigantes tecnológicas.
A Anthropic, por exemplo, vai pagar à xAI cerca de 1,25 mil milhões de dólares por mês por poder computacional. Em paralelo, a gigante das pesquisas também assegurou um contrato de curto prazo para utilizar a infraestrutura de inteligência artificial da empresa, avaliado em 920 milhões de dólares mensais, para dar resposta à procura inesperada pelos seus novos produtos. Estes negócios ganham ainda mais relevância quando se considera a ambição de expandir a infra-estrutura tecnológica para o espaço, algo que ficou claro quando a empresa decidiu revelar as suas novas instalações de processamento de dados em órbita.
O futuro da exploração espacial e os riscos para os investidores
O documento S-1 também lança luz sobre os desafios técnicos e financeiros que se avizinham. O caminho para a reutilização total do foguetão Starship parece ainda incerto, com os dados recentes a oferecerem uma visão realista que pode desiludir tanto os defensores mais acérrimos como os críticos da empresa.
Além disso, a SpaceX adicionou avisos aos potenciais investidores sobre uma futura diluição de capital. Esta linguagem cautelosa acabou por alimentar os rumores de uma possível fusão com a Tesla no futuro. Após a estreia no índice Nasdaq, os investidores de veículos de propósito especial (SPV) de níveis inferiores enfrentam ainda taxas ocultas, atrasos nos pagamentos e até riscos de fraude, o que exige cautela redobrada a quem pretende entrar neste negócio histórico.