Num mercado onde a maioria das empresas parece estar focada em vender hardware para centros de dados, a Intel continua a tomar decisões surpreendentemente favoráveis aos consumidores. Além de anunciar a intenção de melhorar a longevidade dos sockets dos CPU e lançar processadores com mais memória cache ainda este ano, a fabricante promete agora optimizar o acesso ao overclocking nos seus chips. Isto significa que a capacidade de aumentar a velocidade do processador vai deixar de estar bloqueada em exclusivo às versões K nas motherboards mais avançadas.
Durante mais de uma década, a Intel permitiu o overclocking completo (ou seja, o ajuste do multiplicador do relógio do processador) apenas nos seus processadores da série K, e apenas quando combinados com uma motherboard da série Z correspondente à sua geração. Embora a marca permitisse ajustes de memória e BCLK, estas opções não tinham o mesmo efeito prático. Esta postura contrastava de forma evidente com a estratégia da AMD, que sempre permitiu o overclocking completo em quase qualquer combinação de processador e motherboard.
Uma nova estratégia para os entusiastas
Agora, a Intel parece estar disposta a adoptar um pouco da estratégia da sua principal rival. Numa entrevista concedida recentemente à publicação PCGamesHardware.de, Robert Hallock, vice-presidente e director-geral dos canais de negócio para entusiastas da Intel, abordou a situação dos utilizadores que gastam menos de 500 dólares num processador. De acordo com o executivo, estes clientes continuam a ser entusiastas de computadores e merecem o mesmo nível de funcionalidades. Hallock refere que a intenção da marca passa por disponibilizar exactamente isso no roteiro de lançamentos, prometendo que vamos ver cada vez mais modelos desbloqueados ao longo do tempo.
A criação de novos processadores que sejam simultaneamente acessíveis e passíveis de overclocking seria muito bem recebida pela comunidade. É pouco provável que esta mudança comece já com a geração Nova Lake, mas nas futuras famílias de chips podemos vir a assistir a um regresso aos tempos em que os processadores da marca eram amplamente modificáveis. Esta alteração de paradigma junta-se a outras mudanças profundas planeadas pela empresa, como a transição de uma arquitetura híbrida para um design Unified Core, o que demonstra uma reestruturação total na forma de desenhar hardware.
O impacto no mercado de hardware
Ainda não é totalmente claro se a Intel vai reduzir as barreiras de entrada ao overclocking através da expansão do suporte a processadores e chipsets actualmente bloqueados, ou se planeia simplesmente lançar mais modelos da série K a preços mais baixos. De qualquer forma, a comunidade tem agora motivos para estar muito mais entusiasmada com as próximas duas gerações de chips da Intel do que esteve nos últimos anos. A possibilidade de comprar um chip de gama média e extrair desempenho extra sem ter de investir numa motherboard premium muda drasticamente a proposta de valor da marca.
Considerando que Robert Hallock esteve na AMD durante os anos de ressurgimento da linha Ryzen, seria muito interessante ver algo semelhante a acontecer agora na Intel. A sua experiência a lidar com a comunidade entusiasta pode ser o catalisador necessário para que a empresa passe a oferecer mais liberdade aos utilizadores. Desta forma, os consumidores poderão extrair o máximo desempenho das suas máquinas ao executar tarefas exigentes, sem precisarem de gastar fortunas em hardware.