A Google anunciou um novo conjunto de actualizações das políticas da Play Store para reforçar a privacidade dos utilizadores e proteger as empresas contra fraudes. Em simultâneo, revelou que suspendeu 24,9 milhões de contas e o bloqueio de mais de 8,3 mil milhões de anúncios a nível global em 2025, de acordo com uma notícia avançada pelo The Hacker News.
Para travar a publicidade maliciosa, a empresa está a recorrer às capacidades do Gemini. À semelhança das medidas recentes em que a tecnológica decidiu actualizar as diretrizes da sua Inteligência Artificial para preservar o bem-estar dos internautas, o modelo é agora utilizado para detectar e bloquear campanhas fraudulentas em tempo real. Keerat Sharma, vice-presidente e director-geral de Privacidade e Segurança de Anúncios da Google, refere que os modelos mais recentes compreendem melhor a intenção dos cibercriminosos, o que ajuda a identificar conteúdo malicioso e a bloqueá-lo de forma preventiva.
Graças a esta tecnologia, mais de 99% dos anúncios que violavam as políticas foram interceptados antes de chegarem a ser mostrados aos utilizadores. No ano passado, a empresa removeu ou bloqueou 602 milhões de anúncios e quatro milhões de contas associadas a esquemas fraudulentos. Além disso, restringiu mais de 4,8 mil milhões de campanhas e aplicou sanções a mais de 480 milhões de páginas web, acedidas através do browser, por tentarem promover conteúdo sexualmente explícito, armas, jogos de azar, álcool, tabaco e software malicioso.
Novas regras de privacidade no Android
As alterações à plataforma Android incluem modificações significativas nas permissões de contactos e localização. A partir do Android 17, a Google disponibiliza uma nova interface de selecção de contactos, mais segura e optimizada. Esta funcionalidade permite aos utilizadores conceder acesso apenas a contactos específicos, em vez de partilhar toda a lista.
Anteriormente, as aplicações dependiam de uma permissão demasiado ampla que dava acesso a todos os registos. Com a nova actualização, as aplicações podem especificar apenas os campos de que necessitam, como números de telefone ou endereços de correio electrónico. A permissão de acesso total fica agora reservada apenas para software que não consegue funcionar sem ela, o que exige uma declaração formal na Play Console para justificar a necessidade.
A segunda grande alteração diz respeito à localização. O Android 17 integra um botão simplificado que permite às aplicações solicitar acesso único e preciso à localização do utilizador. Desta forma, as pessoas podem tomar decisões mais informadas sobre a quantidade de dados que desejam partilhar. Adicionalmente, o sistema vai passar a mostrar um indicador persistente sempre que uma aplicação externa aceder à localização. A Google aconselha os programadores a reverem as suas aplicações para garantir que pedem apenas a quantidade mínima de dados necessária para executar tarefas.
Combate à fraude nas empresas
Para manter as empresas protegidas contra fraudes, a Google está também a implementar um método seguro para a transferência de propriedade de aplicações. Esta nova funcionalidade nativa está integrada na Play Console e a empresa recomenda que os programadores comecem a utilizá-la a partir de 27 de Maio de 2026.
Segundo a tecnológica, as transferências não oficiais, como a partilha de credenciais de acesso ou a compra e venda de contas em mercados de terceiros, deixam de ser permitidas, uma vez que tornam os negócios vulneráveis a ataques. Os formulários de declaração para as novas políticas de contactos e localização devem ficar disponíveis antes de Outubro de 2026, com as verificações prévias a arrancar a 27 de Outubro para identificar potenciais problemas de conformidade.