A OpenAI apresentou na passada quinta-feira o seu mais recente modelo de inteligência artificial. Longe de se limitar a dar conselhos de culinária ou a criar folhas de cálculo para o utilizador comum, o GPT-Rosalind foi construído especificamente para o sector das ciências da vida. O objectivo principal passa por ajudar os cientistas na descoberta de novos medicamentos, na biologia e na medicina translacional.
O nome escolhido pela tecnológica é uma homenagem directa a Rosalind Franklin, a investigadora cujo trabalho revelou a estrutura do ADN e lançou as bases da biologia molecular moderna. A investigação científica depende fortemente de grandes volumes de dados, e o GPT-Rosalind foi desenhado para ajudar a organizar e a interpretar toda essa informação complexa.
De acordo com uma publicação no blogue oficial da empresa, o desenvolvimento e a aprovação de um novo fármaco nos Estados Unidos podem demorar entre dez a quinze anos. O novo modelo pretende optimizar a selecção de alvos de pesquisa e criar hipóteses mais sólidas para experiências de alta qualidade. A meta final é reduzir drasticamente este tempo de espera, para que os tratamentos cheguem mais depressa ao mercado.
Testes e concorrência no sector
O modelo já foi testado de forma rigorosa em áreas como a química orgânica, o estudo de proteínas e a genética. Os investigadores podem usar esta ferramenta para encontrar literatura científica relevante para o seu trabalho diário ou para desenhar novas experiências em laboratório.
Esta não é a primeira vez que uma empresa de tecnologia desenvolve uma inteligência artificial a pensar nos avanços médicos. A Google DeepMind já criou vários modelos para a investigação científica, como o AlphaFold, que valeu aos seus criadores uma parte do Prémio Nobel da Química em 2024. A própria concorrência directa da criadora do ChatGPT também já se moveu neste sentido. Em Janeiro, a Anthropic introduziu o Claude for Life Sciences com um propósito semelhante. Esta rivalidade não é nova, sendo que a estratégia da OpenAI para superar a Anthropic tem sido alvo de grande atenção nos últimos tempos.
Além disso, enquanto a empresa disponibiliza novas subscrições de alto valor para maximizar a utilização de código por parte de programadores, o foco na saúde mostra uma diversificação clara do seu portefólio de produtos.
Segurança e parcerias com empresas
No passado, vários cientistas expressaram preocupações sobre a rapidez com que a inteligência artificial se infiltrou no espaço científico. Os alertas centram-se em vulnerabilidades, no potencial uso indevido e em problemas com a representação de dados.
Para responder a estas questões, a notícia avançada pela CNET indica que o GPT-Rosalind integra salvaguardas para o proteger de utilizações maliciosas, como a eventual criação de armas biológicas. A OpenAI juntou-se a várias organizações de biotecnologia, farmacêuticas e de tecnologia das ciências da vida para apoiar a investigação de forma segura.
Sean Bruich, vice-presidente sénior de inteligência artificial e dados na empresa biofarmacêutica Amgen, refere que o trabalho científico exige uma precisão extrema. O responsável sublinha que a colaboração com a OpenAI permite aplicar as capacidades mais avançadas de formas inovadoras, com o potencial de acelerar a forma como os medicamentos chegam aos doentes.
Nesta fase inicial, o GPT-Rosalind está disponível apenas através do sistema de acesso de confiança da OpenAI, a funcionar como uma pré-visualização para fins de investigação.