O recém-lançado portátil da Apple tem dado muito que falar, mas parece que o seu verdadeiro potencial está escondido atrás de limitações térmicas. O canal de YouTube ETA Prime decidiu testar os limites da máquina recentemente e os resultados foram partilhados pela publicação VideoCardz. O equipamento integra o processador A18 Pro, um chip desenhado para smartphones que, quando colocado num chassis de computador, sofre com a falta de arrefecimento activo. De facto, já sabíamos que o desempenho base desta máquina se assemelha ao do iPhone 16 Pro, mas agora ficou provado que o hardware consegue ir muito mais além se as temperaturas forem controladas.
Na sua configuração de fábrica, o portátil não conta com ventoinhas e confia apenas numa pequena almofada térmica de grafite para dissipar o calor gerado pelo processador. Durante os testes iniciais a executar tarefas mais pesadas, como o jogo No Man’s Sky, o sistema atingiu rapidamente os 105 graus Celsius. Ao chegar a esta temperatura extrema, o mecanismo de protecção do chip entra em acção para evitar danos, o que faz com que a taxa de actualização do ecrã caia para valores entre os 30 e os 31 fps.
Uma placa de cobre para mudar as regras
Para contornar este obstáculo, o criador de conteúdos ETA Prime aplicou uma modificação simples e rápida. A solução original da Apple foi substituída por uma placa de cobre feita à medida, pasta térmica e uma nova almofada térmica capaz de transferir o calor directamente para a base em alumínio do chassis. Apenas com esta alteração física, o cenário mudou de forma drástica. A temperatura média do processador desceu para a casa dos 83 a 84 graus Celsius. Como consequência directa deste arrefecimento optimizado, o jogo No Man’s Sky passou a mostrar cerca de 58 fps, um valor que quase duplica o desempenho original.
Os ganhos de velocidade não se ficaram pelos videojogos. Nos testes sintéticos, a máquina também registou melhorias evidentes. No Geekbench 6, a pontuação de núcleo único subiu de 3094 para 3563 pontos, enquanto o teste de múltiplos núcleos passou de 7921 para 8692 pontos. Já no Cinebench, os valores saltaram de 502 para 531 em núcleo único e de 1462 para 1597 em múltiplos núcleos. Em média, a simples adição da placa de cobre disponibiliza um aumento de velocidade na ordem dos dez por cento face ao modelo de fábrica.
Arrefecimento a líquido leva o hardware ao extremo
Numa segunda fase da experiência, ETA Prime decidiu ir mais longe ao acoplar uma unidade termoeléctrica externa de arrefecimento a líquido na parte inferior do computador. Com esta configuração extrema, os números dispararam. O Geekbench 6 atingiu 3636 pontos em núcleo único e 9394 em múltiplos núcleos. O Cinebench acompanhou a subida, ao registar 620 e 1741 pontos, respectivamente. Consoante o teste específico, estas melhorias traduzem-se em aumentos que variam entre os 17 e os 23 por cento quando comparados com o desempenho base do equipamento.
A publicação VideoCardz diz que a limitação de energia é uma característica normal em processadores desenhados para telemóveis, uma vez que estes chips são criados para respeitar limites rigorosos de bateria e temperatura. Contudo, no caso específico deste portátil, fica claro que o sistema é travado pelas temperaturas e não pela capacidade real do processador. Os testes sugerem que a fabricante norte-americana poderia ter investido mais no desenho do sistema de dissipação de calor. Esta falha torna-se ainda mais evidente se pensarmos que muitos utilizadores vão usar o computador ligado à corrente eléctrica, um cenário onde manter o desempenho máximo é muito mais importante do que poupar energia. Resta saber se, no futuro, a marca vai rever a forma como arrefece os seus equipamentos mais finos e leves.