Todas as tecnologias revolucionárias mudam a Economia. A invenção da moeda facilitou a troca de bens, promoveu a acumulação de riqueza e a cobrança de impostos. Inventaram-se os assalariados, que viraram proletariado com o vapor e consumidores na era da linha de montagem. E agora, como será com a IA?
Na era digital, as novas fábricas eram open spaces cheios de gente com ecrãs em frente. O trabalho intelectual sobrepôs-se ao físico e as capacidades administrativas tornaram-se um superpoder. Com a Internet, o mercado passou a ser global, com “colaboradores” (há que adorar as nomenclaturas capitalistas) deslocados: teletrabalho e multinacionais de home office.
Os smartphones, a indolência de uma sociedade cada vez mais passiva apesar de se apregoar como empreendedora, e a incapacidade crescente de socializar deram luz à gig economy, onde plataformas que não fazem nada lucram com a precariedade de quem precisa de viver.
Até que veio a inteligência artificial. Primeiro ia acelerar e facilitar o trabalho. Depois, fazê-lo por nós. O alarme soou bem alto: a IA vai ficar com o emprego de toda a gente! Mas, se calhar, vamos acabar todos a trabalhar para ela. É que, pelo que se vê no fenómeno Moltbook, a capacidade cognitiva existe para gerir e decidir.
O relatório sobre o futuro do trabalho do Fórum Económico Mundial (2025) diz que 22% de todo o mercado de trabalho mundial sofrerá uma mutação profunda até 2030, com 92 milhões de pessoas a terem que repensar a sua carreira. Diz também que haverá mais trabalho no futuro, não menos, com 78 milhões de empregos criados pela nova economia.
Que economia será essa? Pelos vistos, uma gig economy dedicada a servir a IA. A RentAHuman é uma plataforma que liga agentes de IA a tarefeiros humanos, para executarem acções no mundo real. Até agora, parece ser apenas um exercício de marketing, mas existe.
No futuro seremos nós, humanos, uma extensão da IA e não o oposto? O nosso valor parece estar na fisicalidade da nossa existência. Até virem os robôs, claro.