Apesar da expansão global das tecnologias digitais, o consumo de electricidade associado à computação «estabilizou» a nível mundial. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista iScience por investigadores do Instituto Superior Técnico e da University of Leeds, que analisou dados entre 1975 e 2022.
O trabalho (‘Long-run electricity consumption in computing: Exponential growth followed by stabilization due to efficiency gains’) conclui que, desde 2018, a computação representa «cerca de 1,8% do consumo global de electricidade», o que «contraria previsões que apontavam para um crescimento contínuo deste indicador».
Segundo os autores, a estabilização explica-se pelo «aumento significativo da eficiência dos sistemas computacionais». Os investigadores destacam dois factores principais que levaram a esta realidade: «A miniaturização dos chips e a mudança no tipo de equipamentos utilizados».
Assim, a transição dos computadores de secretária para os smartphones, aliada à «crescente utilização de centros de dados mais eficientes», foi o que permitiu reduzir a quantidade de energia.
Assinado por Ricardo Pinto, Tiago Domingos e Tânia Sousa, do MARETEC/Instituto Superior Técnico; e Paul Brockway, da University of Leeds, o estudo apresenta uma «análise contínua e abrangente, ao contrário de investigações anteriores que se limitaram a períodos curtos ou a segmentos específicos», defendem os autores.
«No passado recente, os ganhos de eficiência foram suficientes para controlar o consumo de electricidade», afirma Ricardo Pinto. Já Tiago Domingos sublinha que «foi possível detectar de forma credível este fenómeno de estabilização». O estudo pode ser lido aqui.