Quase vinte anos depois do lançamento original, a PlayStation 3 continua a receber atenção por parte da Sony. A empresa nipónica acaba de disponibilizar a versão 4.93 do software de sistema para a sua consola de sétima geração. Embora possa parecer surpreendente que uma máquina de 2006 ainda receba suporte oficial, a verdade é que esta medida tem propósitos muito específicos.
O mistério das notas de actualização
A actualização 4.93 chegou exactamente um ano após a versão 4.92. De acordo com o site PlayStation Lifestyle, as notas que acompanham este patch são as mesmas que os utilizadores da PS3 se habituaram a ler ao longo dos últimos anos. A Sony limita-se a indicar que o software melhora o desempenho do sistema. Uma visita à página de suporte oficial mostra que o texto é idêntico para as versões 4.89, 4.90, 4.91, 4.92 e, agora, 4.93. Isto deixa claro que a marca não está a introduzir nenhuma nova funcionalidade de relevo numa consola com quase duas décadas. De facto, a atenção da fabricante está virada para o futuro, numa altura em que os rumores apontam para que a PlayStation 6 possa ser lançada em 2027 e trazer 30 GB RAM.
A verdadeira razão por trás do firmware
Apesar de parecer um acto de generosidade, numa época em que várias empresas abandonam o suporte a jogos e plataformas muito mais recentes, as acções da Sony não são puramente altruístas. O objectivo principal destas actualizações anuais passa por combater a modificação de consolas e o “jailbreak”, ou pelo menos dificultar a vida a quem tenta contornar as seguranças do sistema. Estes patches anuais estão ligados directamente com as chaves de encriptação do leitor de Blu-ray. Ao lançar estas versões, a Sony consegue manter o controlo sobre o hardware antigo, ao mesmo tempo que perturba os sistemas modificados e o firmware personalizado, até que a comunidade de programadores independentes consiga voltar a contornar as barreiras.
Manter intacta a reprodução de vídeo
A própria Sony acaba por confirmar esta necessidade, ainda que de forma mais subtil. Na página oficial de actualização da PS3, a empresa nota que a consola precisa de uma chave de encriptação renovada para continuar a reproduzir discos Blu-ray. Um manual mais antigo da PlayStation detalha que a chave AACS, usada para protecção de direitos de autor nestes formatos físicos, expira a cada doze a dezoito meses. Para renovar esta licença, é obrigatório instalar uma actualização de sistema. Isto significa que o patch 4.93 não é inútil. Se tem uma PS3 original e ainda a usa para ver filmes, instalar esta versão é fundamental. A Sony indica que o processo exige pelo menos 200 MB de espaço livre. O site FlatpanelsHD já tinha destacado este ponto no ano passado, ao sublinhar que, sem estas renovações periódicas, o hardware mais antigo acaba por perder a capacidade de ler os formatos físicos mais recentes de forma correcta.
O fim de uma era para o streaming
Curiosamente, a PlayStation 3 também foi notícia no início deste ano por motivos menos positivos. Em Fevereiro, a Netflix anunciou que ia terminar o suporte da sua aplicação para esta consola no dia 3 de Março. A plataforma de streaming ficou disponível na PS3 em 2009. Na altura, devido a um acordo de exclusividade digital entre a Xbox e a Netflix, os utilizadores da consola da Sony tinham de pedir um disco Blu-ray específico para conseguir aceder ao serviço. Esse acordo terminou em 2010, o que permitiu finalmente aos donos da PlayStation 3 descarregar a aplicação directamente da loja digital. Agora, catorze anos depois, essa funcionalidade chega ao fim, o que deixa a consola cada vez mais limitada à sua biblioteca de jogos clássicos e à reprodução de filmes em formato físico.