Se partilha a sua conta de streaming com a família, é provável que já tenha aberto a aplicação e dado de caras com uma página inicial repleta de canções infantis, bandas sonoras de desenhos animados ou ruído branco para dormir. Até agora, o algoritmo assumia o controlo total, mas o Spotify prepara-se para devolver o poder aos utilizadores. A plataforma anunciou uma nova funcionalidade chamada Perfil de Gosto (Taste Profile), desenhada para ajudar a limpar e a organizar as recomendações musicais.
O fim do caos nas recomendações
Esta novidade permite aos subscritores ver e ajustar a forma como o serviço interpreta os seus hábitos de escuta. Por outras palavras, passa a ser possível corrigir o algoritmo quando sessões de áudio partilhado, ruídos de fundo para adormecer ou fases musicais passageiras começam a dominar as sugestões da plataforma. Muitas vezes, não são apenas as crianças a desorganizar as playlists. A reprodução contínua de sons da natureza ou de ruído castanho durante a noite pode distorcer completamente o modelo de preferências que a aplicação constrói nos bastidores. Este modelo invisível baseia-se em tudo o que o utilizador ouve, desde música a podcasts e audiolivros, e afecta directamente o que surge no ecrã principal e nas experiências personalizadas, como o famoso resumo anual Spotify Wrapped. Durante anos, este sistema operou na sombra, o que torna quase impossível reverter a situação quando a inteligência artificial assume uma ideia errada sobre os verdadeiros gostos do ouvinte.
Como funciona o novo Perfil de Gosto
O objectivo do Perfil de Gosto é tornar este sistema transparente e interactivo. A ferramenta mostra como o Spotify categoriza os hábitos de escuta, desde os artistas e géneros mais frequentes até aos padrões mais amplos de utilização diária. Se o utilizador notar que algo não bate certo, pode pedir à aplicação para dar mais destaque a determinados estilos ou para reduzir a presença de outros. Estas afinações vão influenciar directamente o que a plataforma prioriza na página inicial. Além disso, a empresa afirma que a funcionalidade está optimizada para reflectir o contexto e não apenas o histórico puro. Isto significa que o sistema integra a capacidade de reconhecer que a música de treino de manhã ou os podcasts durante a viagem para o trabalho são hábitos de rotina, sem permitir que estes definam o gosto geral do ouvinte de forma permanente. Para quem procura ir mais longe nesta gestão, saber como domar o algoritmo do Spotify: guia prático para recuperar o controlo das suas recomendações torna-se agora uma tarefa muito mais simples e intuitiva.
Lançamento gradual para utilizadores Premium
A revelação desta ferramenta ocorreu durante o evento SXSW, através do co-CEO do Spotify, Gustav Söderström. O responsável confirmou que o Perfil de Gosto vai começar a chegar aos ouvintes Premium na Nova Zelândia nas próximas semanas, numa fase de testes beta. Se tudo correr como planeado e a funcionalidade conseguir executar tarefas de personalização com sucesso, a expectativa é que o lançamento global aconteça ainda durante este ano. Esta actualização representa um passo importante para garantir que a interface principal da aplicação reflecte a verdadeira identidade musical de cada pessoa, e deixa de lado as interferências externas. Até lá, os utilizadores terão de continuar a saltar as faixas infantis e a ignorar as sugestões de ruído estático que teimam em invadir as suas playlists diárias.