A Meta prepara-se para remover uma das funcionalidades de segurança mais debatidas dos últimos anos de uma das suas redes sociais. A partir de 8 de Maio de 2026, a encriptação ponto a ponto vai deixar de estar disponível nas mensagens directas do Instagram. A confirmação surgiu através de uma actualização na página de suporte da plataforma, onde a empresa detalha os próximos passos para os utilizadores afectados por esta alteração de política.
A justificação da empresa para o fim da encriptação
A principal razão apontada pela tecnológica prende-se com a falta de adesão por parte do público. Um porta-voz da Meta explicou à imprensa norte-americana que muito poucas pessoas optavam por activar a encriptação ponto a ponto nas mensagens directas. Devido a esta baixa taxa de utilização, a empresa decidiu remover a opção do Instagram em breve. Para os utilizadores que exigem este nível de segurança nas suas comunicações diárias, a recomendação oficial da Meta passa por utilizar o WhatsApp, uma aplicação que integra esta tecnologia de forma nativa e transversal para todos os contactos.
Impacto prático e salvaguarda de dados
Ao contrário do que acontece noutras plataformas de comunicação, a encriptação das mensagens directas no Instagram nunca foi uma configuração padrão, nem esteve disponível para todos. A funcionalidade exigia uma activação manual e apenas podia ser acedida em áreas geográficas específicas. Com a aproximação da data limite, a Meta começou a notificar os utilizadores através de avisos a surgir dentro da própria aplicação. A página de suporte indica que as pessoas com conversas afectadas por esta alteração vão receber instruções precisas sobre como descarregar ficheiros multimédia ou mensagens que pretendam guardar. Em alguns casos, os utilizadores de versões mais antigas do Instagram vão precisar de actualizar a aplicação antes de conseguirem exportar os seus dados em segurança.
O contraste com o Messenger e a visão inicial
A abordagem da Meta à protecção de mensagens tem sofrido várias alterações ao longo do tempo. Em 2019, Mark Zuckerberg delineou uma visão focada na privacidade para as redes sociais da empresa, a afirmar na altura que a implementação da encriptação total para todas as comunicações privadas era o caminho certo a seguir. Os primeiros testes no Instagram começaram em 2021. Curiosamente, semanas após o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia em Fevereiro de 2022, a empresa disponibilizou a funcionalidade para todos os utilizadores adultos em ambos os países. No entanto, o cenário no Messenger parece ser diferente. A Meta passou anos a trabalhar para tornar a encriptação o padrão nesta plataforma de chat, um processo que começou a ganhar forma em 2023. Até ao momento, as declarações oficiais não mencionam qualquer retrocesso no Messenger, o que sugere uma estratégia dividida entre as diferentes aplicações do grupo.
Pressão das autoridades e o fenómeno Going Dark
A decisão de recuar no Instagram surge num momento de intensa pressão por parte de autoridades policiais e organizações de defesa dos direitos das crianças. Estes grupos argumentam que a encriptação ponto a ponto cria um espaço seguro para criminosos, uma vez que impede as empresas de cumprir mandados judiciais para entregar o conteúdo das mensagens. Este problema é frequentemente descrito pelas autoridades como o fenómeno “Going Dark”. Documentos internos revelados recentemente durante um julgamento no estado do Novo México, nos Estados Unidos da América, mostraram executivos e investigadores da Meta a debater os compromissos entre a segurança infantil e a privacidade. Durante o seu testemunho, Zuckerberg admitiu que as questões de segurança foram uma grande parte do motivo pelo qual demorou tanto tempo a levar a encriptação ao Messenger. A indústria tecnológica em geral parece estar a reavaliar estas ferramentas.
Recentemente, o TikTok também confirmou que não planeia introduzir encriptação nas mensagens directas, a justificar a decisão com a necessidade de proteger os utilizadores mais jovens de potenciais perigos. Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia prepara-se para apresentar um roteiro tecnológico para identificar soluções que permitam o acesso legal a dados encriptados por parte das autoridades, sem comprometer a cibersegurança.
Enquanto algumas plataformas recuam na protecção de dados para facilitar a moderação e a detecção de actividades ilícitas, outras procuram reforçar a segurança dos utilizadores, como é o caso do DuckDuckGo que lançou um chat de voz com IA focado na privacidade. Esta dualidade no mercado mostra que o equilíbrio entre a privacidade absoluta e a segurança pública continua a ser um dos maiores desafios para as empresas de tecnologia na actualidade.