Na passada quarta-feira, Andy Nguyen, um programador que já tinha demonstrado no passado a capacidade de colocar uma instalação completa de Linux a funcionar na máquina da Sony, publicou oficialmente a metodologia e os passos necessários para instalar o sistema operativo de código aberto na consola. A notícia, avançada pelo site TechPowerUp, surge pouco tempo depois de a marca nipónica ter enfrentado críticas devido a novas medidas de protecção digital.
Para conseguir executar tarefas típicas de um computador na consola, existem requisitos rigorosos. O artigo indica que o processo exige uma PlayStation 5 com leitor de discos e que esteja a correr versões de firmware muito específicas, nomeadamente as edições 3.00, 3.10, 3.20 e 3.21, bem como as versões 4.00, 4.02, 4.03, 4.50 e 4.51. A mesma fonte refere ainda que o suporte para unidades de armazenamento M.2 está apenas garantido nas versões 4.XX. Embora existam formas de reverter o firmware da consola para edições mais antigas, os especialistas alertam que estes métodos nem sempre funcionam de forma fiável.
Funcionalidades e limitações do sistema
Se o utilizador seguir todos os passos do desbloqueio e reiniciar a máquina, vai encontrar uma instalação completa do Ubuntu 26.04 Resolute Raccoon, que integra o kernel Linux 7. Esta versão oferece uma experiência bastante rica em termos de opções. A título de exemplo, a instalação disponibiliza a alocação personalizada de memória VRAM, o controlo das ventoinhas e a activação de um modo de desempenho optimizado. Todas estas afinações podem ser feitas a partir do terminal ou através da edição de um ficheiro de texto.
Contudo, o desenvolvimento dos controladores ainda está a decorrer, o que significa que existem algumas falhas por resolver. A ligação à rede sem fios, por exemplo, pode obrigar a reiniciar manualmente o adaptador para funcionar correctamente. Outro detalhe importante prende-se com os comandos DualSense da Sony, que de momento não comunicam com o receptor interno da consola, sendo necessário usar um adaptador externo ligado a uma das entradas USB. Em termos de imagem, a taxa de actualização está limitada a 60 Hz nas resoluções 1080p, 1440p e 4K, embora a equipa de desenvolvimento planeie adicionar suporte para 120 Hz no futuro.
Uma modificação segura para a consola
A maior limitação deste projecto acaba por ser também a sua maior vantagem. De acordo com o programador, trata-se de uma modificação de software não permanente. Isto significa que, se o utilizador reiniciar a PlayStation 5 enquanto estiver a usar o ambiente de trabalho do Linux, a máquina não vai voltar a arrancar para esse sistema operativo, a menos que volte a aplicar o processo de desbloqueio.
O lado positivo desta abordagem é que o sistema operativo original da consola não sofre qualquer alteração. Esta característica tranquiliza os utilizadores que têm receio de danificar o equipamento de forma irreversível. Se a intenção for voltar a jogar os títulos habituais ou navegar na Internet através do browser nativo, basta reiniciar o equipamento para que tudo volte ao normal.