A Lenovo aproveitou o Mobile World Congress (MWC) 2026, que decorre em Barcelona esta semana, para mostrar que o mercado das consolas portáteis ainda tem muito espaço para a inovação. Com o anúncio do Legion Go Fold Concept, a tecnológica chinesa pretende resolver um dos maiores dilemas dos dispositivos Windows de sete polegadas: a falta de espaço no ecrã para uma experiência de utilização completa. Este novo protótipo não é apenas uma evolução da Legion Go actual, mas sim uma reinterpretação total do que um PC de mão pode vir a ser, ao fundir a portabilidade de uma consola com a área de trabalho de um tablet de grandes dimensões.
Um ecrã que desafia os limites
O grande protagonista deste dispositivo é, sem dúvida, o seu painel pOLED flexível. Quando está dobrado, o Legion Go Fold tem um formato compacto com um ecrã de 7,7 polegadas, ideal para sessões de jogo rápidas em movimento. No entanto, ao abrir o dispositivo, o utilizador passa a ter à disposição uma generosa superfície de 11,6 polegadas. Esta transição permite passar de uma consola tradicional para um dispositivo de classe tablet sem a necessidade de transportar hardware volumoso.
As especificações técnicas do ecrã não ficam atrás da sua capacidade de dobragem. O painel oferece uma resolução de 2435 x 1712 e uma taxa de actualização de 165 Hz, o que garante uma fluidez extrema tanto em jogos como na navegação pelo sistema operativo. Com um brilho máximo de 500 nits, a Lenovo assegura que a visibilidade se mantém elevada em diversos ambientes, embora o acabamento em plástico do painel OLED exija cuidados redobrados para evitar riscos.
Versatilidade em quatro actos
A Lenovo desenhou este conceito a pensar na adaptabilidade situacional. O Legion Go Fold suporta quatro modos principais de utilização que visam maximizar a produtividade e o entretenimento. No modo portátil padrão, o ecrã mantém-se dobrado e os controladores estão acoplados. Já o modo de ecrã dividido vertical permite ao utilizador manter um jogo a correr numa metade do ecrã enquanto utiliza a outra metade para consultar guias, conversar no Discord ou ver vídeos no YouTube.
Para quem procura uma experiência mais imersiva, o modo “Horizon Full Screen” permite rodar o ecrã totalmente aberto e voltar a encaixar os controladores nas laterais, criando uma consola de formato panorâmico. Por fim, o modo de desktop expandido transforma o conjunto num mini-portátil. Através de uma tira de pinos pogo, é possível ligar um teclado sem fios, permitindo que o Windows 11 seja utilizado com toda a sua funcionalidade, ideal para quem precisa de realizar tarefas de trabalho entre sessões de jogo.
Hardware de nova geração
No interior deste protótipo, a Lenovo decidiu abandonar os CPU da AMD, presente na gama actual, para apostar na arquitectura Lunar Lake da Intel. O Legion Go Fold vem equipado com o processador Intel Core Ultra 7 258V, acompanhado por uns impressionantes 32 GB de memória RAM LPDDR5x e 1 TB de armazenamento SSD. Esta escolha sugere que a marca está a procurar um equilíbrio entre o desempenho bruto e a eficiência energética, algo crucial para alimentar um ecrã desta dimensão com uma bateria de 48 Wh.
O peso total do conjunto fixa-se nos 868 gramas com os controladores acoplados, sendo que o corpo principal (o tablet) pesa 638 gramas. Embora seja mais pesado do que algumas alternativas no mercado, a versatilidade oferecida parece justificar o acréscimo de massa. A Lenovo confirmou ainda que o dispositivo está a ser testado para funcionar com baixos níveis de TDP, de forma a extrair a máxima autonomia possível durante o uso portátil.
Controladores com truques na manga
Os controladores destacáveis do Legion Go Fold são, por si só, uma peça de engenharia curiosa. O comando direito inclui uma pequena superfície táctil OLED de uma polegada que serve para exibir métricas de desempenho, horas ou atalhos personalizados. Além disso, este controlador mantém a funcionalidade de “rato vertical” já vista em modelos anteriores, possuindo um sensor ótico oculto e uma roda de scroll para facilitar a jogabilidade em títulos de tiro na primeira pessoa (FPS).
A Lenovo introduziu também melhorias ergonómicas, como travões nos gatilhos e um acessório que permite unir os dois comandos num único gamepad sem fios, semelhante ao que acontece com os Joy-Cons da Nintendo Switch. Esta modularidade é reforçada pela presença de vários pontos de montagem no corpo do tablet, permitindo que os comandos sejam fixados em diferentes orientações conforme o modo de ecrã escolhido.
O desafio da durabilidade
Apesar do entusiasmo gerado no MWC, o Legion Go Fold continua a ser um conceito e não um produto final. Os primeiros contactos com o hardware revelaram alguns pontos que a Lenovo precisa de limar. A dobradiça, embora sólida quando fechada, apresenta alguma instabilidade quando o ecrã está totalmente aberto. Além disso, o software ainda demonstra dificuldades em adaptar-se automaticamente às constantes mudanças de orientação e resolução exigidas pelos diferentes modos de utilização.
Outra preocupação reside na protecção do ecrã. Por ser um painel dobrável, a face sensível fica exposta para o exterior quando o dispositivo está fechado, o que poderá exigir a criação de capas protectoras específicas. A Lenovo tem um historial de levar conceitos arrojados para o mercado, como aconteceu com o ThinkPad X1 Fold, mas o sucesso deste novo projecto dependerá da capacidade de tornar o mecanismo mais robusto e o preço mais acessível.
Inteligência artificial no horizonte
A par do hardware, a Lenovo anunciou a chegada da Qira, a sua nova assistente de inteligência artificial pessoal e ambiental. Ao contrário de uma aplicação isolada, a Qira será integrada ao nível do sistema em dispositivos Lenovo e Motorola, incluindo potencialmente futuras versões da Legion Go. Esta IA foi desenhada para manter a continuidade entre tarefas e dispositivos, ajudando o utilizador a gerir o seu fluxo de trabalho e de jogo de forma mais intuitiva.
O Legion Go Fold serve assim como uma montra tecnológica para o que a Lenovo acredita ser o futuro da computação móvel: dispositivos que não se prendem a uma única forma, mas que se moldam às necessidades do utilizador através de ecrãs flexíveis e inteligência artificial integrada. Resta agora saber se este conceito conseguirá escapar das feiras de tecnologia para chegar às mãos dos jogadores em todo o mundo.