Muitos utilizadores enfrentam o mesmo cenário frustrante: instalam um extensor de sinal numa divisão remota da casa, mas, ao entrarem nesse espaço, o vídeo que estavam a ver começa a sofrer de buffering ou a ligação cai abruptamente. O problema, na maioria das vezes, não é a falta de cobertura, mas sim a arquitectura tecnológica do dispositivo escolhido. Analisamos frequentemente estas soluções e a conclusão é clara: nem todos os extensores são criados da mesma forma e, em muitos casos, o repetidor tradicional é o maior inimigo da sua rede.
Repetidores, extensores e boosters, o marketing vs. realidade
No mercado de consumo, os termos “repetidor”, “extensor” e “booster” são frequentemente utilizados de forma indistinta, mas existem nuances técnicas cruciais. Um repetidor liga-se ao router principal via Wi-Fi e retransmite o sinal. Um extensor, tecnicamente falando, pode ligar-se via Wi-Fi ou através de um cabo Ethernet (o que é preferível). Já o termo “booster” é puramente comercial, servindo apenas para tornar o produto mais apelativo nas prateleiras.
O grande problema dos repetidores Wi-Fi convencionais, especialmente os modelos mais económicos, reside na sua natureza half-duplex. Estes dispositivos têm de receber e transmitir dados simultaneamente na mesma frequência, o que, na prática, corta a largura de banda disponível para metade. Se o sinal que o repetidor recebe já for fraco, a velocidade final entregue ao dispositivo do utilizador será insuficiente para tarefas exigentes, como o streaming em 4K ou videochamadas.
Interferências e o roaming
A banda de 2.4 GHz, ainda muito utilizada por estes dispositivos, está saturada por redes vizinhas, Bluetooth e até micro-ondas. No entanto, o maior obstáculo à experiência do utilizador é o chamado “Roaming”.
Muitos extensores criam um SSID (nome de rede) separado, geralmente com o sufixo “_EXT”. O problema é que a maioria dos dispositivos móveis, como smartphones e portáteis, são “teimosos”: eles tentam manter a ligação ao router principal até que o sinal desapareça por completo, mesmo que o utilizador esteja literalmente ao lado do extensor. Esta falta de comutação inteligente resulta em latência elevada e quebras de ligação constantes.
A vantagem das redes mesh
Se a sua habitação tem áreas de sombra ou mais do que um piso, é preferível usar sistemas mesh. Ao contrário de uma colecção de pontos de acesso isolados, um sistema mesh funciona como uma rede unificada.
Os nós de uma rede mesh comunicam entre si de forma activa. Em vez de deixarem o dispositivo decidir a que ponto se ligar, o sistema utiliza protocolos de gestão de tráfego para “empurrar” o dispositivo para o nó que oferece o melhor desempenho nesse momento. Além disso, sistemas avançados, como o TP-Link Deco 7 BE23 (já compatível com Wi-Fi 7), utilizam inteligência artificial para equilibrar a carga da rede. Se um nó estiver sobrecarregado com vários dispositivos, o sistema redirecciona automaticamente alguns deles para outro nó com maior capacidade disponível.
Para além de tudo isto, a instalação e configuração é simples e feita totalmente através de uma aplicação para dispositivos móveis. Estes sistemas também oferecem funcionalidades de firewall, controlos parentais com limitação de tempo online e a possibilidade de se criarem redes separadas para dispositivos IoT (como aspiradores robôs e outros dispositivos inteligentes) e também redes para convidados.
Embora um extensor ligado por cabo Ethernet possa mitigar alguns problemas de velocidade, raramente resolve a questão da comutação de sinal. Para quem procura rigor técnico e estabilidade, o investimento num sistema mesh com suporte para Wi-Fi 6 ou Wi-Fi 7 é a única forma de garantir que a largura de banda contratada ao operador chega, de facto, a todos os cantos da casa. A era dos repetidores de tomada está a chegar ao fim; a inteligência de rede é agora requisito mínimo.