Fundada por Andreia Trigo (CEO) e por Frank Khan Sullivan (CTO), esta startup portuguesa é o resultado da experiência pessoal da empreendedora, que foi «diagnosticada com infertilidade desde muito jovem». A responsável explica que «todo o processo de diagnóstico durou vários anos, vários médicos, testes, medicação e até cirurgia» e que decidiu «usar esse desafio para construir algo que pudesse ajudar outras pessoas». Assim, combinando esta vivência com a sua «experiência profissional como enfermeira especialista em fertilidade» e o background tecnológico do marido, Frank, criaram uma solução que «reduz drasticamente o tempo de diagnóstico e torna os cuidados reprodutivos mais acessíveis».
A missão é «democratizar o acesso aos cuidados de saúde reprodutiva, garantindo que qualquer pessoa possa obter respostas claras e rápidas sobre a sua fertilidade, independentemente do país onde vive ou da sua capacidade financeira», salienta a responsável; a ideia da startup é muito clara: «Queremos transformar um processo que hoje é lento, fragmentado e emocionalmente desgastante num percurso rápido, acessível e totalmente baseado em dados clínicos sólidos. Na prática, isto significa reduzir drasticamente o tempo até diagnóstico e início de tratamento, simplificar o trabalho das equipas médicas e oferecer aos doentes planos verdadeiramente personalizados». É por isso que, «em vez de acrescentar mais uma clínica ao mercado», Andreia e Frank estão a criar uma «infraestrutura global sobre a qual clínicas, hospitais e seguradoras podem disponibilizar serviços de fertilidade mais eficientes, escaláveis e centrados no doente».
IA é fundamental
A plataforma, EnhancedDx, automatiza todo o percurso do doente, que tem várias etapas e começa com a «recolha estruturada de histórico médico, social e familiar, sintomas, exames anteriores e consentimento». Em seguida, é necessário fazer testes de fertilidade (fornecem testes de sangue, saliva, esperma, urina e ecografias) e o processamento laboratorial, em que «as amostras são processadas». A plataforma «consolida dados clínicos e laboratoriais, identifica padrões e produz relatórios estruturados para o médico, que agilizam a consulta médica», sendo esta «análise e triagem» feita com ajuda de inteligência artificial, assim como a «automatização dos diagnósticos, códigos de reembolso e recomendação de tratamento».
O que torna a Enhanced Fertility fundamentalmente diferente é que consegue uma «redução do tempo até diagnóstico de três anos para trinta dias», faz a «automatização total do que hoje é manual (historial clínico, pedido de testes, interpretação de resultados, diagnóstico e relatório médico)» e a «integração com sistemas existentes, como sistemas de registos hospitalares», esclarece Andreia Trigo.
Crescer em vários mercados
A Enhanced Fertility começou no Reino Unido, em 2021, veio para Portugal, em 2023 e chegou este ano «oficialmente aos Estados Unidos, com testes activos em todos os cinquenta estados». A escolha deste país deveu-se a ser o «maior mercado mundial de fertilidade» e «à sua abertura à inovação e à tomada de decisões rápidas», avança a responsável. A CEO descreve qual é o plano para 2026: «Iremos lançar a versão white-label da plataforma, permitindo que grandes redes de clínicas, hospitais e seguradoras ofereçam serviços de fertilidade integrados com marca própria». Já sobre os próximos passos de internacionalização, Andreia Trigo realça que os «destinos naturais, após 2026, serão Ásia e África», porque nessas regiões há uma «elevada prevalência de infertilidade, carência de serviços de diagnóstico acessíveis e existem redes hospitalares que podem beneficiar de uma camada tecnológica» como a proporcionada pela startup.
A Enhanced Fertility ganhou o prémio de startup mais promissora do programa Road2WebSummit. Andreia Trigo diz que a distinção «trouxe visibilidade nacional e internacional, reforçou a confiança de parceiros e investidores e validou a importância da missão» da startup.
Andreia Trigo diz que o objectivo geral passa por «transformar a forma como o mundo diagnostica e trata a infertilidade». Por outro lado, além de reduzir o tempo até diagnóstico, a ideia é «tornar os testes acessíveis a milhões de pessoas; ser a principal infraestrutura global de fertilidade para clínicas, hospitais e seguradoras e contribuir para que mais famílias consigam realizar o sonho da parentalidade». E se a ambição «é clara», a visão também: «Queremos ajudar a trazer ao mundo mais um milhão de bebés, com ciência, tecnologia e humanidade».