A tecnológica parisiense Mistral lançou uma versão de pré-visualização do seu novo modelo de inteligência artificial, o Large 4. A empresa afirma tratar-se do sistema de pesos abertos mais poderoso fora da China, possuindo um bilião de parâmetros no total. O acesso já está disponível através da API da plataforma, mas a disponibilização dos pesos do modelo, que permite aos utilizadores correrem o sistema nos próprios servidores através de ferramentas como o LM Studio, acontece apenas a 27 de Outubro.
A arquitectura europeia
Conhecido internamente como “Le Chonk”, este sistema consegue processar texto e imagens em simultâneo. Para cada tarefa específica, o modelo utiliza apenas 49 mil milhões do seu bilião de parâmetros. A empresa treinou a inteligência artificial a partir do zero durante dois meses, utilizando cerca de 4.000 unidades de processamento gráfico Nvidia Grace Blackwell instaladas em centros de dados europeus. Todo este processo de aprendizagem consumiu cerca de 10 megawatts de energia.
Durante as próximas três semanas, a Mistral vai testar o modelo em condições reais. Os programadores, agências governamentais e empresas de cibersegurança vão receber uma variante com menos restrições e mais ferramentas de segurança, uma medida essencial numa era em que o mercado já enfrenta ameaças avançadas, como o recém-descoberto malware autónomo controlado por inteligência artificial. A fase de aprendizagem por reforço, onde o sistema melhora através de tentativa e erro, ainda está a decorrer.
Resultados preliminares
Os primeiros testes de desempenho mostram resultados promissores. Na avaliação de programação DeepSWE, o Large 4 obteve 62%, superando o Zhipu GLM-5.3. No sector financeiro, alcançou 67% no FinWorkBench, quase o dobro do modelo Medium 3.5 da própria marca. A área da visão computacional é o maior destaque da nova versão. No teste DIOR-RSVG, que avalia a capacidade de encontrar objectos específicos numa imagem de detecção remota, a inteligência artificial atingiu 73%, ultrapassando os 68% do GPT-6 Astra da OpenAI. A tecnológica planeia aplicar estas capacidades visuais em cenários reais, ajudando seguradoras a avaliar danos causados por tempestades através de fotografias aéreas.
