É altura de limpar o pó ao velho gira-discos e ao leitor de CD, porque os formatos físicos estão a registar forte renascimento. As vendas de CD e vinil deram saltos expressivos no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela crescente frustração do público com os meios digitais. O aumento dos preços dos serviços de streaming e a percepção de que as pessoas não são realmente os proprietárias das suas compras estão a afastar os consumidores dos formatos imateriais, segundo o site TechSpot.
O impacto dos números da RIAA
Os dados mais recentes provêm da Recording Industry Association of America, que partilhou crescimento de 6.9% nas receitas de música gravada durante os 6 meses iniciais de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Este crescimento superou a inflação, com ganhos registados tanto no streaming como nos formatos físicos. No entanto, foram os suportes palpáveis que dominaram as atenções do mercado. As receitas neste sector cresceram 25,9%, com o vinil a registar subida de 17,7% e as receitas dos CD a dispararem 58,6%. Já em Portugal, os discos de vinil vendem mais que os CD.
Apesar deste fenómeno, o streaming continua a ser a maior fonte de receitas da música gravada, pois gerou 4900 milhões de dólares, o que representa subida de 4.7%. As subscrições pagas atingiram os 3400 milhões de dólares, aumento de 6.4%, enquanto as subscrições gratuitas suportadas por publicidade subiram 3.7%, fixando-se nos 900 milhões de dólares. Ainda assim, o facto de os consumidores estarem a gastar mais dinheiro em formatos que muitos previam que teriam desaparecido há 15 ou 20 anos demonstra clara mudança de paradigma.
A ilusão da propriedade digital
Existem vários motivos que explicam a razão pela qual os formatos físicos recusam desaparecer, com destaque para a garantia de propriedade real sobre as compras. Este contraste ficou perfeitamente ilustrado em Junho, quando a Sony comunicou a remoção de 551 filmes e séries de televisão da PlayStation Store no Reino Unido a 1 de Setembro de 2026, devido a problemas de licenciamento. O conteúdo será apagado até das bibliotecas dos clientes que já o tinham adquirido. Situação idêntica ocorreu quando a mesma marca eliminou mais de 1300 temporadas de programas da Discovery em 2023, o que serve para lembrar aos utilizadores que os contratos de licença das compras digitais descrevem quase sempre a transacção como licença revogável.
A decisão da fabricante nipónica de deixar de oferecer novos jogos para a PlayStation em disco depois de Janeiro de 2028 também empurrou os consumidores insatisfeitos para os formatos físicos. Como as receitas digitais também aumentaram durante o 1 semestre de 2026, a RIAA descreve o relatório como ilustração de mercado em diversificação, onde as empresas do sector musical continuam a lucrar em várias frentes. Fica claro que os CD e os discos de vinil não vão passar a ser apenas memória desvanecida nos próximos tempos.
