Uma nova patente submetida pela Sony descreve um sistema inovador capaz de diagnosticar e reparar problemas de software de forma totalmente autónoma. A infra-estrutura assenta num servidor na nuvem que monitoriza o hardware ligado em tempo real. Quando detecta uma anomalia, a tecnologia recorre a um modelo de linguagem para escrever um programa de diagnóstico à medida do erro específico. O processo culmina em duas opções distintas: a aplicação automática de uma correcção imediata ou o envio de um relatório detalhado para avaliação humana posterior.
Esta visão futurista não se limita apenas ao universo das consolas PlayStation. O documento oficial menciona explicitamente que a tecnologia pode ser aplicada a uma vasta gama de produtos de electrónica de consumo, que abrange televisores, câmaras fotográficas e até equipamentos de áudio. A ideia central passa por reduzir drasticamente as chamadas para o suporte técnico e eliminar os frustrantes ecrãs de erro que por vezes assolam os utilizadores.
Os riscos da autonomia artificial
Entregar as chaves do sistema operativo a um algoritmo levanta sérias questões de segurança. A capacidade de gerar e instalar firmware não verificado em mais de 15 milhões de consolas activas parece um cenário de alto risco. Os modelos de inteligência artificial sofrem frequentemente de alucinações, um fenómeno perigoso quando falamos de modificações profundas no núcleo do sistema de uma máquina. Para além dos erros acidentais, a comunidade de utilizadores já alerta para o potencial de exploração por parte de piratas informáticos. Um sistema com acesso directo e constante aos ficheiros vitais do equipamento pode abrir portas indesejadas a modificações não autorizadas ou ataques maliciosos.
Um histórico de ideias invulgares
É importante salientar que a concretização deste projecto está longe de ser uma certeza. O examinador do escritório de patentes dos Estados Unidos já emitiu uma rejeição preliminar ao documento, o que significa que a proposta terá de sofrer alterações significativas para ser aprovada. As empresas tecnológicas registam milhares de ideias por ano e a esmagadora maioria nunca chega às prateleiras. A Sony possui um longo historial de submissões excêntricas que ficaram na gaveta. Projectos antigos descreviam a emissão de odores através do comando. Houve até registos sobre estimulação cerebral ultra-sónica para simular sabores em sessões de cinema. Esta iniciativa de reparação autónoma parece ser apenas mais um esforço ambicioso num mar de experiências conceptuais da marca.
