Os governos europeus estão a intensificar os esforços para construir infraestruturas digitais soberanas. Nos Países Baixos, as autoridades preparam a transição para uma distribuição Linux própria, com o objectivo de substituir as soluções da Microsoft e de outras empresas norte-americanas. A informação, avançada pelo site TechSpot, indica que o governo neerlandês quer resolver o problema da dependência tecnológica através do NixOS. Trata-se de um sistema operativo de código aberto cujas raízes assentam num gestor de pacotes criado por programadores locais em 2003, sendo que a distribuição estreou três anos depois.
O Nix e o NixOS formam a base do projecto Digitaal Autonome Werkomgeving Overheid (DAWO). Esta iniciativa engloba todas as ferramentas necessárias para erguer uma infra-estrutura informática independente, desde aplicações de produtividade a serviços na nuvem. O objectivo passa por fornecer aos organismos públicos um ecossistema à medida, reduzindo a influência externa. Curiosamente, embora Linus Torvalds tenha anunciado o Linux há 35 anos como um simples passatempo, o sistema tornou-se agora no pilar central da soberania digital de vários países europeus.
Impulso geopolítico
Os esforços para erguer esta infra-estrutura baseada no DAWO começaram há alguns meses. As autoridades neerlandesas padronizaram a criação de um ecossistema nacional focado na acessibilidade, implementando já os primeiros programas piloto em ambientes locais e privados. A longo prazo, o plano abrangerá todas as instituições do país. Este movimento ganhou importância recentemente, após o governo dos Estados Unidos aplicar sanções ao Tribunal Penal Internacional sediado em Haia.
Durante este período de tensão diplomática, a Microsoft terá bloqueado o acesso dos procuradores do tribunal ao correio electrónico e a outros serviços informáticos cruciais. Como resposta imediata, o Tribunal Penal Internacional iniciou a substituição do Microsoft Office por alternativas de código aberto. A expansão do projecto DAWO e do NixOS vai aprofundar ainda mais estes esforços de soberania. Numa tendência crescente por toda a Europa, vários governos investem milhões em projectos de conversão massiva para substituir serviços de software estrangeiros por soluções personalizadas.
