A Microsoft vai activar a protecção de integridade da memória por predefinição em computadores elegíveis com o Windows 11 a partir de Outubro de 2026. Esta alteração vai chegar através da habitual actualização de segurança mensal e visa reforçar as defesas do sistema operativo ao nível do kernel. A medida pretende fechar uma lacuna de segurança em milhões de máquinas que, apesar de terem o hardware necessário, mantinham esta funcionalidade desligada desde a sua transição a partir de versões anteriores do sistema.
O funcionamento da protecção virtualizada
Conhecida tecnicamente como integridade de código protegida por hipervisor, esta tecnologia baseia-se na segurança assente em virtualização para criar um ambiente isolado que o resto do sistema não consegue alcançar directamente. Na prática, o sistema operativo passa a funcionar como um convidado sob o hipervisor nativo da Microsoft, obrigando os controladores de nível mais baixo a passar por uma verificação rigorosa antes de serem executados. Este mecanismo impede que software malicioso se infiltre através de controladores vulneráveis para bloquear as ameaças antes que estas atinjam o núcleo do Windows. A urgência na implementação desta barreira deve-se ao facto de a investigação de vulnerabilidades assistida por inteligência artificial ter acelerado a descoberta de falhas críticas, exigindo respostas mais rápidas por parte das empresas de software.
Requisitos de hardware e impacto no desempenho
Para que a transição ocorra de forma automática, os computadores precisam de cumprir um conjunto de requisitos técnicos que incluem a presença de um processador Intel de oitava geração, um AMD Zen 2 ou um Qualcomm Snapdragon 8180, acompanhados por um mínimo de 8 GB de memória RAM e um disco de 64 GB. Além disso, a virtualização tem de estar activada no firmware e os drivers instalados devem ser totalmente compatíveis com esta funcionalidade. No entanto, a criação desta máquina virtual isolada exige recursos adicionais do processador, o que pode resultar numa quebra de desempenho em tarefas intensivas, e os videojogos representam a área onde os utilizadores poderão sentir um impacto mais negativo nas taxas de fotogramas.
Excepções e gestão de conflitos
A Microsoft implementou um sistema de verificação prévia para garantir que a activação não causa falhas de arranque ao avaliar a prontidão de cada dispositivo antes de aplicar a alteração. Os sistemas que já tenham a integridade da memória desactivada intencionalmente pelos administradores não vão sofrer qualquer alteração forçada, respeitando as políticas de grupo ou as edições manuais do registo. O principal obstáculo a esta transição costuma residir em controladores antigos que tentam aceder à memória de formas não autorizadas. Caso ocorra um conflito após a actualização, o sistema operativo vai registar o erro e bloquear o controlador incompatível, e a responsabilidade de aguardar por uma versão actualizada fornecida pelo fabricante ou de desactivar a protecção manualmente nas definições de segurança passa para o utilizador.
