A LaLiga submeteu um pedido formal à Comissão Europeia para incluir serviços como a NordVPN, a ProtonVPN, a ExpressVPN e a Surfshark na Lista de Vigilância de Falsificação e Pirataria para a edição de 2027. O organismo responsável pelo principal campeonato de futebol espanhol não ataca a tecnologia em si, mas aponta o dedo às práticas comerciais de marketing de afiliados que ensinam os utilizadores a contornar bloqueios geográficos. Esta acção expande o alvo tradicional das autoridades europeias, que durante os últimos anos costumavam focar-se apenas em plataformas de partilha de ficheiros e serviços ilegais de transmissão de vídeo.
O problema do marketing de afiliados
Os directores da liga espanhola argumentam que diversos influenciadores e parceiros comerciais publicam guias detalhados sobre como assistir a jogos de forma totalmente gratuita. Estas páginas na internet promovem assinaturas com desconto para as redes privadas virtuais e lucram com comissões avultadas originadas por essas vendas. Embora a utilização destas ferramentas seja uma prática comum e perfeitamente legal, assumindo-se como um pilar essencial da segurança digital, a entidade sublinha que as instruções partilhadas prejudicam gravemente a exclusividade territorial dos contratos de licenciamento. Além de furarem as restrições regionais, alguns destes guias chegam ao ponto de explicar passo a passo como contornar bloqueios judiciais impostos a sites conhecidos de pirataria.
Ligações empresariais e processos judiciais
O documento de 14 páginas enviado para as entidades em Bruxelas destaca ainda que alguns dos portais de análise não operam de forma independente. A LaLiga menciona que certas empresas detentoras de redes privadas virtuais também controlam sites de avaliação que, curiosamente, colocam os seus próprios produtos no topo das recomendações. Em Fevereiro, um tribunal de Córdova emitiu uma ordem contra a NordVPN e a ProtonVPN por alegadamente usarem o calendário desportivo nas suas campanhas publicitárias. No entanto, o processo judicial permanece em aberto, uma vez que as autoridades espanholas reconheceram a extrema dificuldade técnica de aplicar multas. Isto acontece porque os endereços de protocolo de internet associados às transmissões piratas mudam com muita frequência. Resta agora aguardar pela resposta oficial da Comissão Europeia a esta exigência sem precedentes no mercado tecnológico.
