Há já algum tempo que queríamos voltar ao tema dos recondicionados, muito por culpa da subida galopante de preços dos novos modelos. Em 2024, experimentámos um iPhone 14 Pro Max da Swappie e, desta vez, a nossa escolha foi um iPad Air 5 de 2022 (ecrã Liquid Retina de 10,9 polegadas) com 256 GB, Wi-Fi + Cellular e em Cinzento Sideral, por 499 euros, da mesma loja. A actual geração do Air (a sétima) tem um processador M4 e começa nos 829 euros, uma diferença de 330 euros para este modelo recondicionado.
Autonomia à prova
Na Swappie, o que temos de escolher para um iPad é o mesmo que para um iPhone: capacidade, condição, bateria, conectividade e cor, tudo elementos que influenciam o preço final. O modelo escolhido estava classificado como ‘Excelente’, a segunda categoria mais elevada disponível para este iPad, apenas ultrapassada pela ‘Premium’; com isto, é prometido um equipamento «sem sinais de utilização visíveis» e, no nosso caso, a descrição correspondeu ao que recebemos. O chassis em alumínio não apresentava amolgadelas, riscos ou marcas nos cantos, enquanto o ecrã estava igualmente imaculado.
Este Air veio com uma bateria ‘Nova’, a classificação mais alta desta loja de recondicionados. Mas, ao contrário do que acontece com um iPhone, o iPad Air 5 não permite ver a capacidade máxima nem a contagem de ciclos da bateria, uma vez que não temos disponível o menu ‘Estado da bateria e carregamento’ (só existe em gerações mais recentes). Assim, não podemos saber o estado efectivo desta bateria, mas a Swappie assegura que, nestes casos, a capacidade é de «100%».
Pelo desempenho, não temos como duvidar desta garantia: ao começar um dia de utilização intensa com este Air, para escrever alguns artigos, ver vídeos no YouTube, usar várias redes sociais para carregar conteúdo, gravar vídeos e jogar (‘Sky Force Reloaded’ num iPad é uma experiência viciante), chegámos às 21 horas com 67% de autonomia. Este é um resultado que se torna um grande ponto a favor num iPad com estas características.
A força do M1
Este foi o primeiro iPad Air com um processador da família M, neste caso o M1, estreado nos Mac em 2020 e adoptado pelo iPad Pro no ano seguinte. Este chip combina uma CPU e uma GPU de oito núcleos, uma Neural Engine de dezasseis núcleos e 8 GB de memória RAM, independentemente da capacidade de armazenamento, componentes mais que suficientes para navegação, edição de documentos, IA (é compatível com Apple Intelligence), jogos e tratamento de fotografia ou vídeo, no nosso caso com o CapCut. A verdade é que a utilização diária não denuncia os quatro anos do iPad.
O sistema responde de forma imediata, as aplicações abrem rapidamente e alternar entre várias tarefas decorre sem pausas perceptíveis. Mesmo em jogos e aplicações mais exigentes, o M1 continua a comportar-se como um processador actual. Os benchmarks confirmam esta impressão: no AnTuTu, o iPad Air registou 1 985 659 pontos, enquanto no Geekbench 6 conseguiu 2357 em single-core, 8653 em multi-core e 26 830 no teste da GPU. No 3DMark Wild Life chegou aos 3389 pontos e, no PassMark PerformanceTest Mobile (que usamos em vez do PCMark Work), terminou com 10 321.
Para colocar estes resultados em perspectiva, comparámo-los com os do Huawei MatePad Pro PaperMatte Edition, o tablet mais recente que testámos na PCGuia e cujo preço é de… 1299 euros. O modelo da Huawei conseguiu 1 947 149 pontos no AnTuTu, 1128 em single-core, 5139 em multi-core e 6572 no teste gráfico do Geekbench 6. Ou seja, o Air 5 ficou ligeiramente à frente no AnTuTu, mais que duplicou o resultado de single-core e apresentou uma pontuação gráfica cerca de quatro vezes superior. A excepção foi o 3DMark Wild Life, onde o MatePad Pro conseguiu 5485 pontos, contra os 3389 do iPad.
Afinal, o que vale este iPad?
O modelo que testámos tinha 256 GB, o que acrescenta mais de cem euros à conta, relativamente à versão de 64 GB. Quanto a nós, justifica-se a opção por mais armazenamento, dado que o sistema operativo, as aplicações e a Apple Intelligence ocupam uma parte considerável do espaço. O M1 tem capacidade para continuar actual durante mais alguns anos, por isso, seria uma pena deixar que o armazenamento encurtasse a vida útil deste iPad recondicionado.
No fim de contas, por 499 euros, é difícil encontrar um tablet novo que combine um ecrã desta qualidade, 8 GB de RAM, qualidade de construção, acesso ao ecossistema Apple e um processador com o desempenho do M1. Tal como concluímos com o iPhone 14 Pro Max, comprar um recondicionado pode permitir poupar bastante sem ficar preso a um equipamento lento ou desactualizado. No caso deste iPad Air 5, o segredo está no M1: quatro anos depois, continua a oferecer muito mais desempenho do que os seus 499 euros fariam prever.
E, já agora, uns AirPods 4 ANC
A experiência de compra (sublinhe-se que a encomenda chegou ao fim de uma semana, em caixas brancas da Swappie, e que o iPad incluía um cabo USB-C) e de teste alargou-se ainda a uns actualíssimos AirPods 4 ANC (sem qualquer acessório extra), que a marca vende por 149 euros, menos 50 euros do que na Apple. Aqui, contudo, não podemos escolher a condição exterior nem o estado da bateria, embora a Swappie garanta que os auriculares e a caixa são «testados e sujeitos a uma limpeza profunda». No nosso caso, chegaram sem riscos ou marcas de utilização, tanto nos auriculares como na caixa.
No desempenho, tudo segue na mesma linha: a qualidade sonora é equilibrada, com vozes claras e graves convincentes, enquanto o emparelhamento e a alternância automática entre o iPad e o iPhone tornam a utilização especialmente prática. O cancelamento de ruído funciona muito bem para um formato aberto e é acompanhado pelos modos ‘Transparência’, ‘Áudio Adaptável’, ‘Detecção de Conversa’ e ‘Áudio Espacial’, que configuramos directamente na ‘Central de Controlo’ do iOS. Na autonomia, não notámos qualquer perda significativa: conseguimos usá-los sem problemas durante um dia, mesmo com ANC, mas sempre com o apoio do estojo.
