A dependência crescente de modelos de linguagem de grande escala (LLM) pode estar a provocar um efeito sistémico na população semelhante a uma infecção viral. Um novo documento científico intitulado ‘Large-Language Models as a Cognitive Virus’ sugere que a delegação constante do pensamento humano nas máquinas actua como um verdadeiro vírus cognitivo. Os investigadores não realizaram uma experiência prática tradicional, mas optaram por compilar dados de pesquisas anteriores sobre os efeitos mentais da dependência tecnológica. Ao aplicar matemática epidemiológica, habitualmente utilizada para rastrear doenças biológicas, a equipa concluiu que a sociedade pode transitar entre 3 estados distintos ao longo do tempo.
Os níveis de interacção humana
A teoria matemática divide os utilizadores em categorias de acoplamento com a tecnologia. Os indivíduos não acoplados recusam a ajuda das ferramentas digitais para pensar, enquanto os utilizadores acoplados integram os modelos de linguagem como parte de um processo cognitivo mais amplo. O perigo reside na terceira fase, onde os utilizadores dependentes transferem mais de 50% do seu raciocínio para a inteligência artificial. O argumento central do estudo não é apenas a constatação de que a máquina prejudica a capacidade de pensar, algo já documentado, mas sim a forma como este fenómeno se espalha. À medida que as pessoas retiram benefícios da tecnologia, incentivam o seu uso entre os pares, o que leva a uma dependência lenta e generalizada se não existirem precauções.
A vacina contra a dependência
Curiosamente, os autores do documento não assumem uma postura contra a inovação tecnológica. A pesquisa sublinha que o uso destas plataformas não é intrinsecamente prejudicial e pode até auxiliar a mente humana em vez de a substituir. A chave para evitar a infecção por este vírus mental passa por impedir que a máquina faça o trabalho intelectual pesado. A recomendação dos cientistas passa por utilizar os modelos para pesquisa profunda, recolha de informações e instrução, mantendo sempre a competência crítica.
A distinção fundamental reside entre as formas de ligação que ampliam a competência humana e aquelas que substituem as operações cognitivas necessárias para manter essa mesma competência. O estudo aponta para várias pesquisas existentes que demonstram que a utilização crítica da inteligência artificial é a verdadeira vacina contra o declínio mental. Embora o documento original esteja repleto de fórmulas matemáticas complexas, destinadas a cientistas de dados, a secção final de discussão oferece uma leitura acessível sobre como a sociedade pode adoptar estas ferramentas sem sacrificar a sua própria capacidade de raciocínio.
