A aviação movida a hidrogénio e electricidade enfrenta um desafio térmico que pode ser tão importante como o próprio sistema de propulsão. Para resolver este problema, a TAT Technologies e a startup francesa Beyond Aero estão a colaborar na arquitectura de gestão térmica da futura aeronave executiva ONE, segundo o site Interesting Engineering. As duas empresas procuram integrar o Universal Cooling System da TAT no design do avião, à medida que os engenheiros trabalham para criar um sistema compacto capaz de suportar cargas de calor extremamente exigentes.
O modelo ONE foi desenhado para transportar 6 passageiros ao longo de 800 milhas náuticas, o que se traduz em mais de 1400 km de autonomia. Este valor representa aproximadamente 5 vezes a distância estipulada para aeronaves eléctricas a bateria comparáveis. A propulsão por célula de combustível cria um ambiente térmico muito complexo, obrigando os especialistas a gerir o calor de forma eficiente sem adicionar peso excessivo ou consumir espaço valioso no interior da fuselagem.
O desafio da gestão térmica
Tal como acontece no mundo dos computadores, na aviação a gestão térmica passou a ser uma peça central da arquitectura e não um sistema secundário adicionado a posteriori. A TAT desenvolveu a sua plataforma de arrefecimento integrada para se adaptar a diferentes condições de operação, respeitando as rigorosas restrições de tamanho e peso dos novos designs aeroespaciais. O director executivo da TAT Technologies, Igal Zamir, sublinhou que a propulsão a hidrogénio oferece um caminho promissor para uma aviação com menos emissões, destacando a flexibilidade, a eficiência e a fiabilidade como requisitos fundamentais.
Autonomia e inovação industrial
A Beyond Aero, que iniciou as suas operações em 2020 e tem agora mais de 80 engenheiros aeroespaciais espalhados por Toulouse, Paris e Los Angeles, está a desenvolver o ONE em torno do armazenamento de hidrogénio gasoso e da energia das células de combustível. O objectivo de autonomia dá ao projecto um destaque importante, uma vez que as aeronaves movidas a bateria enfrentam limites significativos de densidade energética. O hidrogénio oferece uma via alternativa, pois as células convertem o gás em electricidade enquanto produzem calor que a aeronave tem de rejeitar continuamente.
O responsável pela industrialização do programa da Beyond Aero, Yannick Schwartzenbart, referiu que a experiência aeroespacial da TAT vai ajudar a startup a desenvolver uma arquitectura fiável. Esta parceria ilustra como os avanços na propulsão podem reconfigurar sistemas que antes pareciam secundários. Os tanques de hidrogénio, as células de combustível, o equipamento eléctrico e o hardware de arrefecimento têm de caber numa estrutura altamente restrita. Se o ONE chegar à fase de operação comercial, o seu sistema de refrigeração será um dos componentes menos visíveis a determinar a eficiência com que o avião consegue utilizar a energia do hidrogénio.
