A China está a acelerar a remoção do Windows dos sistemas governamentais. O Ministério da Segurança do Estado ordenou a várias organizações estatais que desinstalem uma versão personalizada do Windows 10 vários meses antes do previsto. De acordo com o site TechSpot, esta decisão aproxima do fim a tentativa da Microsoft de criar um ecossistema de software desenhado especificamente para Pequim.
O fim de uma parceria estratégica
A C&M Information Technologies (CMIT), a empresa responsável pelo desenvolvimento deste sistema operativo especial, tinha planeado retirar o software de circulação apenas em Fevereiro de 2027. Esta edição governamental do Windows 10 chegou ao mercado em 2017, fruto de uma parceria entre a Microsoft e a estatal China Electronics Technology Group Corporation.
O sistema baseava-se na versão Enterprise, mas sem funcionalidades consideradas desnecessárias pelas autoridades, como o OneDrive. Além disso, dava ao governo controlo total sobre a telemetria e as actualizações, oferecendo ainda suporte para algoritmos de encriptação locais. Pessoas próximas do processo indicam que esta antecipação se deve a preocupações com a segurança de dados, embora não tenham sido identificadas vulnerabilidades específicas. A Microsoft já fez saber que desconhece qualquer incidente de segurança e que o produto continua a receber actualizações regulares.
A transição para alternativas nacionais
Esta directiva surge num momento em que Pequim intensifica a sua campanha para substituir hardware e software estrangeiro por alternativas domésticas. Em vez do produto da Microsoft, os funcionários públicos chineses vão passar a utilizar sistemas operativos da Kylin Software e da Tongxin Software Technology, na sua maioria baseados em Linux.
A necessidade de manter documentos confidenciais protegidos levou o governo chinês a implementar regras rigorosas de compras públicas em 2023. Estas normas exigem processadores e sistemas operativos “seguros e fiáveis”, o que resultou na exclusão gradual de chips da Intel e AMD, bem como de bases de dados estrangeiras.
O impacto na presença da Microsoft
A versão personalizada do Windows nunca conseguiu a adopção que a gigante tecnológica norte-americana desejava. Uma análise recente a guias de compras governamentais mostrou que a esmagadora maioria já não recomendava o software da Microsoft, preferindo soluções de código aberto apoiadas pelo Estado, como o openKylin.
Como resultado destas políticas, a presença da empresa na China tem vindo a diminuir, com o encerramento de pelo menos quinze escritórios e parcerias nos últimos cinco anos. Ainda assim, a tecnológica mantém-se no país a vender serviços de inteligência artificial e cloud a empresas locais com operações internacionais.
