Com a Starlink proibido no território russo, a resposta de Moscovo à SpaceX começa a ganhar forma na órbita terrestre. A empresa espacial russa Bureau 1440 prepara-se para iniciar os testes da sua rede de internet por satélite de baixa órbita, designada Rassvet. De acordo com o site TechRepublic, o serviço comercial tem arranque previsto para 2027.
O calendário de desenvolvimento da Rassvet
O projecto surge numa altura em que a internet por satélite deixou de ser apenas uma ferramenta de conectividade para o consumidor comum. O desenvolvimento foi confirmado durante o Fórum Económico de São Petersburgo por Alexei Shelobkov, director executivo da Iks Holding, a empresa-mãe da Bureau 1440. O responsável garantiu que os satélites já estão a ser lançados e que os testes vão começar nas próximas semanas.
Até ao momento, a empresa enviou 16 satélites para o espaço e planeia aumentar este número para 900 ao longo dos próximos anos. Este valor contrasta fortemente com a infra-estrutura do Starlink, que possui mais de 10 mil satélites em órbita. No entanto, os objectivos são distintos. Enquanto a rede de Elon Musk opera à escala global, a Rassvet está direccionada para a cobertura doméstica russa.
O impacto do conflito na Ucrânia
Para além da necessidade de criar uma alternativa nacional, a guerra na Ucrânia actua como um catalisador para este projecto. Desde o início da invasão, o armamento de ambas as nações passou a integrar equipamento digital avançado. As redes orbitais transformaram-se em infraestruturas estratégicas, essenciais para as comunicações no campo de batalha e para a operação de sistemas resistentes a interferências.
Apesar de a Starlink estar banida na Rússia, as autoridades ucranianas relataram a descoberta de terminais da SpaceX em drones russos destruídos, o que sugere que estes aparelhos estariam a utilizar a rede americana para navegação em território ucraniano. Em resposta, a Ucrânia contactou rapidamente a empresa de Elon Musk para propor formas de resolver a situação.
A tecnologia tem desempenhado um papel crucial no conflito moderno, destacando-se em várias frentes estratégicas:
- Comunicações no campo de batalha: A manutenção de linhas de contacto seguras e ininterruptas entre as tropas e os centros de comando, mesmo em zonas onde as infraestruturas terrestres foram totalmente destruídas.
- Operação de drones com inteligência artificial: A navegação e o controlo de veículos aéreos não tripulados que realizam ataques de precisão a infraestruturas inimigas, tirando partido da elevada resistência a interferências de sinal.
- Logística e resgate automatizado: A utilização de robôs militares que percorrem longas distâncias para transportar mantimentos essenciais para a linha da frente e para retirar soldados feridos do campo de batalha em segurança.
Neste cenário de guerra de alta tecnologia, a execução da fase de testes da Rassvet vai ditar se a Rússia consegue transformar uma pequena constelação de satélites numa rede fiável e à escala necessária para competir no panorama actual. Por agora, o projecto continua a ser mais uma promessa estratégica do que um substituto comprovado para a Starlink.